No dia em que entram em vigor novas regras para a disponibilização comercial de produtos de plástico não reutilizáveis, o movimento Faz Pelo Planta by Electrão organizou o quinto de um ciclo de seis debates sobre sustentabilidade. Esta quinta-feira, a conversa digital juntou especialistas, ambientalistas e representantes das instituições do Estado em torno das «Metas de Reciclagem para 2025» com que Portugal está comprometido. "O país e o mundo têm um conjunto de metas ambientais extremamente ambiciosas", lembra Pedro Nazareth, que pede uma "mobilização coletiva" dos diferentes intervenientes nos sistemas de recolha seletiva.
Para o diretor-geral da Electrão, só com este esforço conjunto será possível delinear um plano eficaz para o cumprimento dos objetivos acordados internacionalmente. Entre eles, a obrigação de reciclar pelo menos 55% dos resíduos urbanos até 2025, percentagem que sobe para 65% até 2030. Apesar dos sinais que indicam risco de incumprimento nacional, dados do Ministério do Ambiente mostram que, em 2020, foram reciclados 56% das embalagens e, de uma forma geral, os portugueses reciclaram mais no ano em que a pandemia chegou a Portugal. Porém, é necessário acelerar o ritmo da recolha seletiva de todo o tipo de materiais, incluindo os eletrónicos, que ainda representam uma dificuldade para as entidades responsáveis.
"Os cidadãos têm a obrigação de proceder ao correto encaminhamento dos equipamentos elétricos e eletrónicos e proceder à sua entrega diretamente numa rede de recolha", recorda Carla Pinto. A diretora de Serviços de Sustentabilidade Empresarial da Direção-Geral das Atividades Económicas afirma ainda que "a recolha seletiva é um passo fundamental para que tudo corra bem", evitando a contaminação de materiais que cria maior dificuldade na sua separação. Neste campo, Carla Pinto acredita que o papel das autarquias na sensibilização é "fundamental", mas também no apoio que podem prestar às entidades gestoras. Carmen Lima, da Quercus, concorda e diz mesmo que a ONG é contactada frequentemente por cidadãos que não sabem o destino que devem dar a determinado produto em fim de vida e que não conseguem esclarecer as dúvidas com as câmaras municipais. "Achamos que as autarquias são a chave para a resposta", diz.
Por outro lado, a ambientalista critica a falta de informação do Estado, por exemplo em relação às alterações legislativas sobre a utilização de produtos descartáveis à base de plástico, como palhinhas, pratos, talheres ou embalagens de esferovite, cuja entrada em vigor estava prevista para 1 de julho. "Continuamos sem saber se esta legislação sobre os descartáveis de uso único está em vigor e quando é que vão entrar as alterações que estavam previstas", lamenta. Mas se é certo que os cidadãos têm responsabilidade neste processo rumo à sustentabilidade progressiva do país, também o é que as empresas devem aumentar o seu contributo para a promoção da economia circular, do ecodesign e redução de resíduos.
"É necessário que as empresas produzam produtos mais fiáveis e duráveis que possam ser reparáveis", afirma Rodrigo Gonçalves, referindo-se essencialmente a equipamentos elétricos e eletrónicos. O argumento do responsável da Agência Portuguesa do Ambiente é simples de compreender: se não existirem produtos com obsolescência programada (uma espécie de prazo de validade que as grandes empresas recusam admitir existir) que tenham um período de vida mais longo, será necessário produzir e consumir menos, evitando a extração de recursos naturais. "A indústria nacional pode e deve fazer mais e deve ser estimulada a contribuir mais para a reciclagem dos materiais que estamos a recuperar", assinala ainda Paulo Praça, presidente da associação de gestão de resíduos ESGRA. "Temos de estar todos empenhados" para que seja possível cumprir as metas propostas, remata.