As críticas ao desinvestimento da TAP no Porto, no Algarve e nas ilhas têm sido tema de conversa recorrente e, em visita ao parlamento, esta tarde, a CEO da companhia foi novamente questionada sobre o assunto. Christine Ourmières-Widener garantiu que a transportadora de bandeira está disponível para abrir mais ligações para estas regiões se estas forem rentáveis.
"É nosso dever cobrir [estas regiões] e, se der dinheiro, abrimos de imediato. Não há nenhuma agenda escondida. A TAP está a caminho de se tornar eficiente e sustentável mas não nos podemos tornar numa low cost, não é esse o nosso modelo", garantiu a gestora ouvida na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, numa audição pedida pelo PS.
A CEO relembrou que a companhia serve atualmente o Porto com 10 destinos diretos e 17 voos semanais e garante que está a investir no Funchal.
Questionada sobre a possibilidade de aliviar os cortes salariais dos trabalhadores como, aliás, tem sido reivindicado por estes, Christine Ourmières-Widener relembrou que apesar da recuperação da capacidade de voo, as contas não estão ainda equilibradas. "Não é porque estamos a voar a 90% de 2019 que estamos numa boa situação financeira. Isso não está relacionado com o rendimento líquido, não recuperámos ainda. O acordo de emergência [(Acordos Temporários de Emergência (ATE)] foi assinado com todos [os sindicatos]. Não podemos imaginar que seis meses depois de assinar os planos vai tudo estar bem", assegurou.
Impacto de 300 milhões com subida de combustíveis
A CEO da transportadora fez ainda um balanço sobre os principais constrangimentos atuais da operação, indicando que o custo mais elevado do combustível e a valorização do dólar americano têm dificultado a concretização do plano de reestruturação, acrescentando que os custos estimados com combustível são cerca de 300 milhões de euros superiores ao anteriormente previsto e 200 milhões superiores a 2019.
"Estamos a tentar mitigar este custo com combustíveis, ou aumentando o preço no cliente final", disse.
Recorde-se que a TAP vai receber, no total, 3,2 mil milhões de euros em ajudas no âmbito do plano de reestruturação desenhado por Bruxelas, sendo que última injeção por parte do Estado, no valor de 990 milhões de euros, será dada este ano.