O ministro das Finanças defendeu esta sexta-feira, 16, que, apesar dos resultados positivos alcançados pela TAP em 2022, de 65,6 milhões de euros, a companhia não pode eliminar já os cortes salariais e admite que esse processo pode começar a ser feito mas é preciso que seja acompanhado de maior produtividade e desempenho dos trabalhadores.
"Discordo dos que dizem que por ter resultados positivos as dificuldades terminaram e podemos ter um processo de menor controlo de custos. Seria uma tragédia e seria deitar fora o esforço dos trabalhadores", disse Fernando Medina em resposta ao deputado comunista, Bruno Dias, que questionou o ministro sobre se a TAP irá reverter os cortes dos trabalhadores.
Medina, que está esta manhã a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política da Gestão da TAP (CPI), disse que "é verdade que é possível construir as bases de um caminho mais virtuoso da recuperaçãodos vencimentos" mas que este processo deve ser "acompanhado de novos acordos de empresa mais modernos".
"É desejavel na contratação coletiva que a TAP possa retomar processos de negociação normais, e que a diminuição dos cortes salariais sejam acompanhadas com a forma de melhoria de produtividade e desempenho na empresa. Esse é um equilíbrio mais virtuoso da sustentabilidade da empresa", indicou.
O governante alertou que apesar das contas positivas no ano passado e das perspetivas otimistas para este ano, não vale tudo. "Temos relativamente ao ano de 2022 e inicio do ano de 2023 são resultados positivos que dão ânimo relativamente ao processo de recuperação, a par com crescimento do turismo e do número de passageiros. Resultados não devem ser desvalorizados mas não podemos cair que a empresa se manterá sustentavel independentemente da solução", reiterou.
"O primeiro passo já foi dado, com acordo coletivo na Portugália. O segundo passo está quase concluído com os pilotos da TAP e que sucederá às diversas àreas profissionais da TAP", informou.
Recorde-se que recentemente os sindicatos que representam os trabalhadores da TAP exigiram, numa carta aberta dirigida ao novo CEO e chairman da empresa, Luís Rodrigues, o fim dos cortes salariais e dos acordos temporários de emergência (ATE).
Os trabalhadores da TAP têm atualmente aplicado um corte de 20% aos vencimentos superiores a 1520 euros - o equivalente a dois salários mínimos nacionais. A TAP anunciou em fevereiro, ainda antes da chegada no novo presidente-executivo, a redução dos cortes de 25% para 20%.