A TAP voltou a apostar neste inverno nos voos para o Brasil e agora está a ponderar "melhorar" o programa Stopover para este mercado, programa que neste momento permite fazer uma escala em Lisboa ou no Porto de até cinco dias, sem custos adicionais. "Estamos a trabalhar com um conjunto de players para ver se o programa pode ser mais sofisticado. Os clientes mudaram", explicou Christine Ourmières-Widener, CEO da TAP, durante a sua intervenção num painel sobre acessibilidade aérea no congresso da AHP, que se realiza até esta sexta-feira, no Algarve.
Em 2019, as unidades de alojamento para turismo contaram com 1,2 milhões de hóspedes originários do Brasil, de acordo com os dados do INE. Ainda que nem todos tenham entrado em Portugal através de voos da TAP, muitos o terão feito. Além disso, os turistas brasileiros tipicamente viajam para a Europa, passando apenas uns dias em cada destino. Permitem também ajudar a combater a sazonalidade, uma vez que viajam muitas vezes na nossa época baixa.
A presidente executiva da TAP acrescentou que, por exemplo, no caso do mercado brasileiro, os clientes "não querem ficar num único lugar. Então, talvez em vez de ficarem em Lisboa e depois irem para outro destino na Europa, estamos a tentar que o Stopover combine diferentes destinos em Portugal". Christine Ourmières-Widener não deu muitos detalhes, mas sublinhou que o objetivo é "tentar melhorar o programa" Stopover. Contudo, o objetivo não é ser aplicado a todos os segmentos de clientes "mas que se dirija a clientes com comportamentos específicos". E admitiu que os Açores e a Madeira podem passar a integrar o programa.
Os preços do petróleo têm estado a subir nos mercados internacionais, o que tem reflexo nos combustíveis, incluindo no jet fuel (combustível para aviões). José Lopes, diretor da easyJet para Portugal, assegurou que a capacidade financeira da transportadora lhe permite não subir preços devido à escalada da matéria-prima. "A easyJet é uma empresa financeiramente forte (...) isso faz com que seja possível preparar esses cenários e, no caso do aumento dos combustíveis, fazer hedging [uma espécie de seguros que protegem contra grandes flutuações de preço] que evitem estas flutuações de mercado", disse. "A easyJet está protegida. E isso é fundamental para o momento que se aproxima de retoma e posicionamento estratégico", acrescentou.
A TAP admitiu que tem hedging para o petróleo para este ano e deverá ter também para o próximo. Quanto a uma subida dos preços, a CEO não descarta por completo uma atualização. Podemos ter um "impacto nos preços porque as companhias aéreas veem a recuperação como uma oportunidade".