Os tripulantes da TAP aprovaram esta tarde um pré-aviso de greve para os dias 8 e 9 de dezembro. A votação decorreu durante a assembleia-geral de emergência convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).
Segundo apurou o Dinheiro Vivo, o protesto foi aprovado por "larga maioria". Os tripulantes estão reunidos desde as 11h00 para discutir a proposta apresentada pela TAP para o novo Acordo de Empresa (AE). O sindicato, que se sentou à mesa com a administração da empresa a 14 de outubro, considera o documento " indigno e inqualificável" e convocou de imediato uma assembleia-geral de emergência para definir mecanismos de protesto.
O Dinheiro Vivo sabe no dia 06 de dezembro os tripulantes se voltam a reunir em assembleia-geral, para avaliar avaliar as negociações com a TAP até lá e decidir se a greve avança ou não. O sindicato diz-se disponível para negociar e pede seriedade à TAP, que acusa de apresentar um AE inferior aos Acordos Temporários de Emergência (ATE)
A CEO da TAP admitiu ontem que caso esta greve se concretizasse, iria pesar nas contas da empresa. "Uma greve seria um desastre porque iria por em causa todo o bom trabalho que foi feito pelos trabalhadores e pela empresa. Uma greve nunca é boa para nenhuma empresa. O diálogo que precisamos de ter não deveria passar por este tipo de ação mas não em cabe a mim decidir e acredito que nos devamos sentar à mesa e ver o que é possível fazer", disse Christine Ourmières-Widener, durante a conferência de imprensa da apresentação dos resultados trimestrais.
Também o ministro das Infraestruturas e da Habitação disse, esta tarde, que uma greve seria o pior cenário. "Em 2022, a TAP ainda tem um prejuízo acumulado e tem um plano de reestruturação e por isso o trabalho vai continuar com os trabalhadores, mas o pior que poderia acontecer é ter uma greve que causa uma disrupção na companhia e nos resultados sem ter em consideração o esforço que os portugueses", afiançou Pedro Nuno Santos no final da reunião do Conselho de Ministros.
O governante reconheceu as dificuldades dos trabalhadores mas garantiu que é primeiro necessário resolver as contas da empresa. "Temos consciência absoluta de que os trabalhadores estão sujeitos a cortes muito relevantes. Mas não podemos iniciar o fim dos cortes sem termos a situação estabilizada", adiantou.
O atual AE assinado com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), datado de 2006, foi denunciado pela TAP e a nova proposta não convence os tripulantes, que dizem que o documento apresentado não poderá servir de base de negociação.
"Entendemos que esta proposta é indigna e inqualificável. Não conseguimos sequer fazer um quadro comparativo entre o modelo apresentado e o atual AE. A empresa, além dos cortes salariais [impostos no ATE] quer transformar unilateralmente a própria génese da negociação do acordo de empresa de 2006 e isso é grave", disse recentemente ao Dinheiro Vivo o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias.
*com Salomé Pinto