Temido (não candidata) já anda em propaganda por Lisboa

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"A Lisboa que queremos não é uma cidade que se resigna a estar cada vez mais suja e com a higiene urbana a funcionar pior", disse esta semana a (ainda) não candidata à câmara Marta Temido. "A Lisboa que queremos não é uma cidade que se contenta com a falta de estacionamento e transportes públicos pelos quais se espera à chuva", declarou a ex-ministra da Saúde que acabou com os melhores hospitais do país pela sua muito pessoal ideologia anti-iniciativa privada e logo anti-PPP. "A Lisboa que queremos não é uma cidade onde a mobilidade é caótica por falta de planeamento", garantiu a candidata socialista à concelhia da capital, reafirmando que é cedo para anunciar uma candidatura autárquica que vem sendo alimentada, por ela e pelo PS, desde que saiu do governo na sequência da morte de uma grávida, vítima do caos em que a tutela de Temido deixou o SNS.

Com a mesma candura com que o líder do seu partido, António Costa, se afirmou "o garante da estabilidade de Portugal" - firmemente omitindo a exclusiva responsabilidade no estado de sítio em que o país vive há um ano, a saltar de crise em crise pela mão do pior (des)governo da sua história -, vem agora Marta Temido empenhar o seu melhor sorriso na esperança de fazer-nos esquecer a sua trágica prestação e herança.

Quer convencer-nos, ainda que não seja candidata, a votar nela quando for tempo de escolher os destinos de Lisboa, convicta de que já ninguém se recorda que são seu legado os atrasos nos diagnósticos, tratamentos e cirurgias dos doentes, as demissões em catadupa das equipas de liderança dos hospitais, o estado catastrófico a que chegou um Serviço Nacional de Saúde que até Temido lhe tomar as rédeas foi sendo capaz de servir os portugueses e manter os seus profissionais de camisola vestida, apesar de todas as dificuldades. Até Marta Temido, em plena pandemia, lhes chamar "piegas".

Mas Temido segue a música do mestre Costa. O primeiro-ministro proclama-se rei de tudo o que é bom, como se não tivesse provocado uma crise política para tomar o poder absoluto; como se fosse inocente na escolha de ministros que nunca o poderiam ser, que o desautorizam, que usam as instituições a seu bel-prazer, que são arguidos em casos de justiça; como se não apadrinhasse leis trágicas que desembocam em versões mansas mas igualmente incompetentes em resolver os problemas dos portugueses. Os que tinham e os que o governo vai criando. E a ex-ministra, ainda não candidata, absorve a estratégia, aprende a lição.

Com leveza, Marta Temido omite o cadastro socialista que ainda lesa Lisboa e faz de Moedas o responsável de tudo o que o PS não deixa acontecer na cidade. Como o projeto que a câmara tem para isentar os jovens de pagar IMT, três vezes chumbado pela oposição socialista. Ou as medidas que preveem que a autarquia invista 900 milhões de euros a dez anos, incluindo a construção de 3500 casas e a reabilitação de mais 17 mil para garantir que as famílias que o desejam podem viver em Lisboa, também vetadas pela oposição na capital.

Com pretensa inocência, a ex-ministra da Saúde põe as culpas da confusão em Lisboa nas obras de Carlos Moedas, quer fale do Metro, decidido e gerido - com atrasos e derrapanços financeiros brutais - pelo governo de António Costa, quer fale de intervenções fundamentais para a cidade, mas mil vezes adiadas por uma governação autárquica socialista empenhada em não se mexer, como o Plano de Drenagem prometido nas sucessivas cheias e nunca tirado da gaveta até a autarquia mudar de mãos.

Com leveza, a ainda não candidata critica o autarca de Lisboa pelos problemas na limpeza urbana, que Costa e Medina deixaram avolumar-se com uma década de suborçamentação e desdém, omitindo que, na verdade, Carlos Moedas finalmente reviu e engordou esse orçamento às freguesias, conforme pediam as juntas, de forma a poderem cumprir as suas responsabilidades locais.

Seguindo o mestre Costa, que não se atira a cargos europeus, Temido já faz campanha por uma candidatura que ainda diz que não não existe.

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