Temos a geração mais bem preparada de sempre. Mas ainda está por cá?

Estudo da Associação Business Roundtable Portugal e da Deloitte traça retrato do país e revela números de emigração que secam talento em Portugal.
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25%: População portuguesa a viver fora do país

Portugal tem a 8.ª maior taxa de emigração do mundo, com um quarto dos portugueses a viver fora de Portugal, e 61% dos emigrantes não pensa voltar. A vontade de sair é cada vez maior entre os jovens: segundo um estudo da Associação BRP e da Deloitte, metade da geração Z está "propensa ou muito propensa" a emigrar; o dobro da geração anterior. Entre os motivos que empurram os portugueses, destacam-se os salários baixos e reduzido poder de compra, com impostos penalizadores do sucesso e do emprego, como revelam os elevados custos que tornam as empresas pouco competitivas e a enorme carga fiscal sobre o trabalho.

20 mil: Número de licenciados que emigram todos os anos

Na última década, Portugal perdeu 742 mil portugueses, mesmo descontando os 133 mil que regressaram. Desses, 653 mil estavam em idade ativa e 194 mil tinham curso superior, representando 10,4% da população portuguesa licenciada em idade ativa. Quase 40% dos 50 mil novos licenciados por ano deixam o país, fazendo perder o investimento feito na formação.

20%: Filhos de portuguesas nascidos no estrangeiro

Além de afastar os jovens de hoje, a emigração também desvia do país as crianças e jovens de amanhã, dando gás ao ciclo vicioso da crise demográfica. Basta ver as estatísticas apresentadas no estudo da Associação BRP: 55% dos que saíram do país ao longo da última década tinham entre 20 e 39 anos, idade em que se constitui família. Estes, fá-lo-ão fora de Portugal. Um estudo recente confirma que 20% dos filhos de mães portuguesas nasceram no estrangeiro - valor que seria suficiente para elevar a taxa de natalidade de 7,7‰, para 8,6%, pouco abaixo dos 9,1% da média europeia.

1/5: Jovens de áreas tech a trabalhar para fora cá dentro

O impacto do investimento feito pelo Estado e pelas famílias na educação dos seus jovens não conta para Portugal quando estes decidem ir trabalhar para outras paragens. Nas áreas da tecnologia, há estudos que apontam que mais de um em cada cinco jovens portugueses trabalham já para fora, muitos com sede fiscal deslocada, ainda que não emigrem fisicamente. São 1,9 mil milhões de euros de investimento perdidos por ano. Somando a perda de receita de IRS e Segurança Social, a Associação BRP estima que o impacto negativo vá equivaler a 60% da receita de IRS de 2021.

42%: Peso do Fisco e da Segurança Social no salário médio

Portugal apresenta um dos piores tax wedges (rácio entre Impostos + Segurança Social sobre o custo total de cada trabalhador para a empresa) dos países europeus da OCDE.

Com 42 em cada 100 euros entregues ao Estado por salário médio, Portugal fica mal na comparação de salário líquido com o espanhol, britânico, suíço, etc. - onde por efeito dos impostos se ganha, respetivamente, 1,4x, 2,7x e 5,1x o salário líquido pago aqui. Mesmo em países com tax wedges sobre o salário médio mais elevados, a diferença em termos líquidos é substancial: 1,9x o salário em França e 2,2x o salário na Alemanha.

55%: Fatia do que a empresa paga que chega ao trabalhador

Num salário bruto de 28 mil euros/ano, é pouco mais de metade do que a empresa despende o que chega ao bolso de quem faz o trabalho. E um aumento de 50% neste valor bruto representa só +39% no salário líquido do trabalhador. O resto é desviado para o Estado. O que retira atratividade às carreiras e leva a perda de competitividade das empresas, por via dos custos e pela menor capacidade de atrair e reter recursos pela remuneração.

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