"Temos colaboradores que são uma inspiração e que podem mudar o mundo"

O primeiro debate "À Mesa do Trabalho" de 2022 contou com representantes da Randstad, EDP e Zurich. A preocupação cada vez maior das empresas com a sustentabilidade e responsabilidade social esteve no centro da conversa.
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As preocupações dos colaboradores e das empresas estão a mudar. Agora, é mais importante ter um bom equilíbrio casa/trabalho do que um emprego das 9h às 17h. "Há dez anos atrás, se nós agora nos virássemos e olhássemos para trás, ficávamos a pensar «O que é aquilo?». Não reconheceríamos a nossa própria forma de trabalhar e de pensar", afirma Mariana Canto e Castro, Diretora de Recursos Humanos da Randstad Portugal.

A profissional esteve presente no primeiro debate da série À Mesa do Trabalho, de 2022, organizado pela mesma empresa em parceria com a TSF e o Dinheiro Vivo, onde falou sobre as exigências que os candidatos colocam logo nas entrevistas de emprego, nas quais a possibilidade de teletrabalho é a sua principal prioridade.

"Geralmente, se a oferta que está em cima da mesa não permite trabalho remoto, há uma recetividade um bocadinho fria por parte do candidato". Em entrevistas a candidatos "recém-licenciados" e com idade "até aos 30 anos", "já não é o entrevistador que faz e conduz a entrevista, são os entrevistados que tomam para si, e bem, as rédeas, no sentido não só de apresentarem as suas competências e experiência, mas de, com as perguntas que nos fazem, demonstrarem aquilo que procuram", explica Mariana Canto e Castro.

Com efeito, a realidade do trabalho híbrido já é "incontornável para qualquer empresa" e isso reflete-se no que os trabalhadores querem, afirma Martim Salgado, Diretor do Gabinete de Coordenação de Impacto Social do Grupo EDP. Na empresa, os funcionários estão dois dias em casa e três no escritório. "Acreditamos que é preciso manter o espírito de equipa, mas damos total flexibilidade aos nossos colaboradores para abordar essas decisões do dia a dia como entenderem", refere Salgado.

O desafio das alterações climáticas

Tal como na EDP, os trabalhadores da Zurich aliam o teletrabalho às idas ao escritório. Graças à flexibilidade do modelo híbrido, a empresa conseguiu fazer importantes alterações ao seu escritório. "Nós somos 500 em Portugal e em Lisboa somos cerca de 400 e estávamos divididos em dois edifícios. Queríamos há muito tempo ter as pessoas juntas, por uma questão de cultura e por um dos edifícios ser mais moderno do que o outro. Mas nunca encontrámos um edifício para 500 pessoas que nos servisse. E, assim que estalou a pandemia e fomos para casa, percebemos que não era o espaço que estava em causa, mas o modelo de trabalho que íamos adotar de seguida", conta Ana Marreiros, Responsável de Comunicação da seguradora.

Desta forma, o modelo híbrido conseguiu fazer algo inesperado à partida: unir a empresa num só espaço adequado às suas necessidades e, ao mesmo tempo, marcar um ponto de viragem no caminho em direção à sustentabilidade: "Já que vamos repensar o espaço, vamos fazê-lo com tudo o que há de sustentabilidade, modernidade, tecnologia, diversidade e inclusão."

Foi assim que nasceu o projeto de reabilitação "LiZboa", um dos passos a dar para chegarem ao ano 2050 com zero emissões de carbono. Objetivo esse que, sem o teletrabalho, seria impossível. A empresa pretende ainda digitalizar a documentação, apostar em refeições saudáveis e descarbonizar a frota automóvel, optando por veículos híbridos e elétricos. Mudanças muito concretas para "combater as alterações climáticas que são, nada mais, nada menos, do que o maior desafio que temos pela frente", afirma a Responsável de Comunicação da Zurich.

A descarbonização tem sido um dos principais focos no plano verde da seguradora. Além de diminuírem as emissões de CO2 em terra, também o querem fazer no ar. De modo a terem menos "40 mil toneladas de CO2 por ano" até 2025, vão "reduzir 60% das emissões associadas a viagens aéreas". Para Ana Marreiros, esta estratégia foi um caminho iluminado pela pandemia. Com o teletrabalho, as reuniões de trabalho foram feitas virtualmente, sem deslocações físicas para fora do país que, afinal, se revelaram desnecessárias.

Mas nem só de mudanças a nível interno se faz a mudança. Os serviços e produtos que entram no mercado também têm de ser fruto dos novos tempos. Prova disso é o novo seguro financeiro Banco CTT Investimento Sustentável, uma parceria com o Banco CTT. "Tem ações ambientais implícitas e, mais do que isso, a carteira de ativos deste seguro é composta por empresas e projetos que estão comprometidos e cumprem os requisitos dos ODS's, dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas", explica Ana Marreiros.

Ajudar a comunidade através do voluntariado

Perceber que as empresas às quais se candidatam se preocupam em garantir um futuro melhor para as próximas gerações é outra das grandes preocupações dos jovens. É cada vez maior o desejo de trabalharem numa organização focada e comprometida em deixar uma marca positiva na sua comunidade. "As perguntas sobre impacto social, sustentabilidade, compromisso com os desafios do milénio, parcerias, programas de voluntariado começam a surgir cada vez mais nas entrevistas por parte do entrevistado, o que é um sinal muitíssimo positivo da transformação que a Randstad quer ver", afirma Mariana Canto e Castro.

Essa transformação também está na parte de quem contrata. Retribuir à sociedade "é um assunto que está em cima da mesa de quase todas as empresas", incluindo na Randstad, cujo lema dos Recursos Humanos para 2022 se resume na hashtag #PessoascomPropósito. No fundo, trata-se de criar programas para envolver os colaboradores e mostrar-lhes que o seu trabalho, e eles próprios, importam. "Não é só estar todos os dias das 9h às 17h a trabalhar, é entregar algo muitíssimo precioso: mostrar o papel absolutamente fulcral que, ainda que seja uma só pessoa, tem no puzzle maior da sociedade", diz a Diretora de Recursos Humanos da Randstad.

Uma das melhores formas de, passo-a-passo, empresas e colaboradores deixarem uma marca positiva na sociedade é o voluntariado. Na EDP, por exemplo, os colaboradores "têm quatro horas por mês que podem dar a ações de voluntariado". "Nos últimos 10 anos fomos capazes de impactar mais de 1,7 milhões de pessoas, estabelecer mais de quatro mil parcerias e contámos com mais de 40 mil participantes", resume Martim Salgado.

Esta ação a nível local é reforçada com o Fundo de A2E, que apoia projetos internacionais a tornarem a energia acessível nas comunidades rurais dos países em desenvolvimento. "Além disso, temos equipas locais que também fazem vários projetos relacionados com temas como educação, a saúde, o desenvolvimento social. É por via dessas equipas no terreno que procuramos criar estes laços de proximidade", explica o Diretor do Gabinete de Coordenação de Impacto Social da elétrica.

A razão pela qual estas iniciativas, para Martim Salgado, têm sido tão bem-sucedidas é porque "as pessoas sentem necessidade de contribuir." O voluntariado é, de alguma forma, um instrumento para aproximar a empresa das comunidades, e é exatamente isso que a EDP quer fazer: "Ter um impacto positivo, tanto dentro do negócio, como nas nossas comunidades", explica Martim Salgado.

Esse objetivo é partilhado pelos trabalhadores da Zurich, que se juntam em nome da solidariedade e da arte. A empresa tem um grupo de teatro que trabalha com o seu clube de voluntariado, a Missão Azul, na apresentação de peças, cujas receitas vão para diversas ONG. "Levam um preço simbólico do bilhete a quem assiste, mas não querem que o dinheiro vá para eles. Querem, sim, doar a alguma instituição e há sempre uma causa social por detrás. Este ano, numa altura em que a pandemia estava um bocadinho mais controlada, conseguimos fazer quatro espetáculos", afirma Ana Marreiros.

É assim que, de forma ativa, responsável e descontraída, as empresas estão a participar nas causas sociais e a envolver as suas equipas, enquanto inspiram e deixam uma marca para as gerações futuras. "Temos colaboradores que são uma inspiração e que podem mudar o mundo e isso deixa-nos com muito orgulho", afirma Ana Marreiros.

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