O The President"s Club, piano-bar e vinoteca instalado no recém-renovado Cineteatro de Amarante, é o primeiro dos investimentos de Júlio da Silva na cidade onde nasceu e onde sempre sonhou vir a investir. Emigrado há 37 anos, o empresário da restauração tem já previsto assumir, em janeiro, a gestão do "Pobre Tolo", restaurante que fica a 100 metros do cineteatro e que deve o seu nome a um livro do escritor amarantino Teixeira de Pascoaes. Em vista está ainda a abertura de uma geladaria tradicional italiana e outros projetos se seguirão.
Júlio da Silva, nasceu e cresceu em Amarante, terra que abandonou aos 16 anos, quando fugiu de casa. Foi para Londres, onde esteve três anos, até 1990, e daí seguiu para a Suíça, onde ainda está. Não esconde que passou tempos difíceis e que chegou a viver na rua, mas teve a sorte de encontrar um transmontano, de Montalegre, que lhe deu emprego e lhe permitiu iniciar-se no mundo da restauração.
"Não me podia dar trabalho, porque era menor, mas ele aceitou-me. Comecei por lavar pratos e todas as tarefas que todos fazemos quando começamos. Com o tempo fiz um curso de cozinheiro, depois um de gerência. Fui diretor de vários espaços de referência em Berna, cheguei a gerir mais de 80 funcionários e vendas de 11 milhões de euros ao ano, hoje tenho o meu próprio espaço", conta, referindo-se ao Büner, em Berna, restaurante que é ponto de paragem obrigatória de políticos e famosos. "No fim de outubro, tenho lá o Manchester City a jantar [a equipa britânica defronta os Young Boys, de Berna, em partida da Liga dos Campeões], como tive o Futebol Clube do Porto, que o Jorge Nuno Pinto da Costa levou lá a equipa [quando esteve na cidade]", explica.
Apesar do sucesso além-fronteiras, o empresário garante que sempre sonhou poder voltar e investir na cidade. Começa com o The President"s Club, que abriu no fim de setembro e lhe permitiu juntar duas das suas "maiores paixões", a música e o vinho. O espaço é propriedade da Câmara de Amarante, que investiu mais de cinco milhões na recuperação do edíficio. Júlio da Silva ganhou o concurso municipal e tem um contrato de exploração por oito anos. Além de dar apoio ao programa cultural da autarquia, o espaço vai funcionar às quartas e quintas-feiras, das 17h30 às 23h30 e às sextas e sábados até às 02h00.
Permitiu a criação de 10 novos postos de trabalho, neste arranque do projeto, que pretende atrair nomes grandes da música portuguesa. Além de Áurea, que atuou na inauguração, Júlio espera, um dia, ter Marisa, Rui Veloso ou Pedro Abrunhosa a cantar no seu piano-bar. Ou os Calema, na esplanada.
Quanto aos vinhos, a carta do The President"s Club arranca com 120 referências, de todo o país, apostando em "grandes vinhos de pequenos produtores". O Vinho Verde merecerá uma especial atenção. "Estamos na região do Vinho Verde, tinha que defender a minha cultura", sustenta. O empresário assume que quer trabalhar com produtores e vinhos com "personalidade", e dá exemplos de nomes como a Plansel, no Alentejo, Quinta do Castanheiro, na Bairrada, os 2PR ou o Pintas e o Manoella do Douro, e o Soalheiro, nos Verdes, entre muitos outros. "São quintas pequenas, mas com grande qualidade. A verdade é que só conseguimos vender bem um produto se nos identificarmos com ele", sublinha.