Feito o aviso, prepare-se porque irá sentir-se verdadeiramente
rico - o ideal nos tempos que correm. Irá, provavelmente, pegar
num dos cestos estrategicamente colocados à entrada e enchê-lo, ao
longo de um labirinto que desemboca na caixa. Um micado gigante, um
estojo que é um frasco de ketchup, um caderno cuja capa é uma
tabela periódica, chá branco com aroma de pêssego, bagas de goji,
especiarias, aquele prato com pedestal para bolos que sempre desejou,
vasos de vidro para pendurar na parede e mais um sem número de
coisas. Muitas coisas, mais de 2 mil artigos espalhados por cerca de
300 m2. Uma espécie de loja dos trezentos - 80% dos artigos da
Tiger são vendidos a menos de cinco euros e não há nada que custe
mais de 30 euros -, mas onde cada objeto foi cuidadosamente
reinventado. O design é a essência da Tiger, a marca dinamarquesa
fundada, em 1995, por Lennart Lajboschitz, e que está presente em 23
países (Europa e Japão) com mais de 300 lojas.
A Portugal, a marca chegou em novembro de 2012, mesmo a tempo do
Natal. A primeira loja abriu na Rua da Prata, na Baixa de Lisboa, mas
neste momento, já existem sete e os planos de Paulo Borges - o
homem que fechou a parceria com os dinamarqueses para desenvolver a
marca em Portugal - apontam para chegar à meia centena de lojas em
todo o país. "Este ano ainda, prevemos abrir mais quatro ou cinco.
Nos anos seguintes, os nossos planos apontam para a abertura de oito
a dez lojas por ano, até perfazer 40 a 50", explicou o gestor em
entrevista ao Dinheiro Vivo.
A ideia não é desatar a abrir em todo o lado, mas sim marcar
presença em todo o país, com destaque para as capitais de distrito.
Em Lisboa, as atenções estão viradas para encontrar um bom espaço
na zona do Chiado e por abrir nos shoppings da Sonae - Colombo,
Vasco da Gama e CascaiShopping. "Não é fácil pedir 400 m2 e
obtê-los. Já estamos em negociações e há uma vontade enorme dos
promotores para que a marca esteja presente nestes centros
comerciais", acrescentou. Além de Lisboa e Porto, também Aveiro,
Leiria, Viseu e Braga estão na agenda de lançamentos da Tiger em
Portugal.
O investimento na abertura de uma loja varia entre os 200 e os 300
mil euros. "Em 2015, serão abertas mais dez lojas, pelo que
estamos a falar de um investimento de dois a três milhões de
euros", precisou Paulo Borges. Mas o negócio está a correr bem
porque, conforme diz o gestor - que antes de lançar a Tiger em
Portugal era o responsável pela marca Pepe Jeans, a nível mundial
-, a recetividade das pessoas "tem sido tremenda". O target
principal são as mulheres entre os 25 e os 40 anos, mas existem
muitos casos de miúdos que arrastam os país para as lojas, ou de
avós que chegam para comprar presentes para os netos.
Paulo Borges tem recebido vários pedidos para ceder o franchising
da marca, mas o negócio não funciona assim. O modelo para cada país
assenta numa parceria entre o grupo dinamarquês (controlado por uma
sociedade de capital de risco), que fica com 50% do capital, e o
sócio local, responsável pela outra metade. "Até ao momento, já
investimos aproximadamente dois milhões de euros. Já recuperámos o
investimento na primeira loja, mas estamos sempre a reinvestir na
expansão da marca no país", explica o responsável da Tiger em
Portugal.
O investimento corrente é suportado, em parte, com a faturação
das lojas, sendo que cerca de 20% são financiados pela banca. "No
início, em plena crise, tivemos algumas dificuldades de
financiamento, porque os bancos desconheciam o projeto, o que
implicou muitas garantias pessoais, mas a situação foi
ultrapassada", adianta o gestor. Em 2013, com apenas três lojas, o
volume de negócios, em Portugal, foi de dois milhões de euros,
sendo que as previsões para o final deste ano, com mais lojas,
apontam para uma faturação entre sete e oito milhões de euros. Os
resultados começaram logo no primeiro ano de atividade: "Andam à
volta dos 20%, em termos brutos e fazem com que tenhamos fôlego para
a expansão da Tiger em Portugal."
A Tiger emprega, neste momento, 90 pessoas em Portugal, mas
considerando a abertura de mais lojas ainda este ano a ideia é
fechar 2014 com cerca de 130 trabalhadores. "Cada loja precisa de
dez a 15 pessoas", afirma ao Dinheiro Vivo Paulo Borges.
O design, aliado a preços competitivos - o fundador já
garantiu que a produção é feita em todo o mundo, da Dinamarca à
China, e que são respeitadas as boas práticas -, é o ponto forte
da Tiger em todo o mundo, mas a experiência do cliente quando entra
numa loja é muito importante, explica Paulo Borges. O que justifica
o facto de ainda não existir venda online. "Tudo nesta loja está
estudado e é imposto pela casa-mãe." Até a playlist é comum a
todas as lojas e é escolhida pelo fundador e ainda sócio do grupo,
Lennart Lajboschitz.
E só mais um aviso: se passar pela Tiger e vir alguma coisa que
gostava mesmo muito de ter, compre, porque senão pode ser tarde de
mais.
O lema é: "Gostou, comprou, senão acabou." De 15 em
15 dias, chegam às lojas de todo o mundo cerca de 400 artigos novos.