Já poucos saberão que a empresa começou pela fundição de um fio de ouro, pelas mãos do fundador, Manuel Ferreira Marques, e que só na década de 20 do século seguinte, é que a Topázio começou a trabalhar as primeiras peças de prata. A empresa era então designada por Ferreira Marques & Irmão e a marca Topázio só viria a ser registada em 1934. Em 1960 a empresa vai pela primeira vez a uma feira internacional, em Hanover, na Alemanha, e inicia o seu processo de internacionalização, muito assente nos produtos religiosos para a comunidade judaica, designadamente em Nova Iorque. "Foi o momento em que a Topázio explodiu", diz a atual presidente, Rosário Pinto Correia.
Com os anos 70 e a crise do petróleo, a Topázio desenvolveu um processo especial de "banho de prata" de modo a tornar mais acessíveis a suas peças, mas mantendo-lhes a qualidade e o brilho. Outra das inovações que lhe é apontada, é o ter associado a prata ao cristal, fazendo jarras e outras peças de decoração. O declínio da marca surge com o início do século XXI, devido aos duros efeitos da valorização do euro, mas também da decisão de abandonar toda a produção de joalharia de ouro e aço, em que havia, entretanto, feito algumas incursões. Dos 15 milhões de euros que faturava na década de 90, dando emprego a 300 pessoas, não foi além dos 2,7 milhões em 2012. Tinha 80 trabalhadores.
Embora se mantenha 100% familiar, os primos Ferreira Marques, a quarta geração na empresa, decidiram, em 2012, contratar um conselho de administração independente, liderado por Rosário Pinto Correia. A sua estratégia passou por um rebranding que permitisse "acordar e dar visibilidade à marca, pela aposta nos mercados internacionais e pela racionalização de processos". Dois anos depois, a empresa tinha já 110 pessoas e faturou 3,2 milhões. Este ano deve faturar ... Vende para mais de 20 países, mas o mercado nacional ainda vale 65%.
Parcerias com designers, arquitetos e artistas plásticos de sucesso, como Joana Vasconcelos, Cristina Santos Silva ou Sam Baron, e a abertura de lojas ou espaços dedicados à marca em hotéis e ourivesarias foram algumas das iniciativas que ajudaram a devolver o brilho de outros tempos à Topázio. Mas Rosário Pinto Correia quer mais: quer abrir uma loja no Porto e espaços Topázio em mercados internacionais. E quer que a exportação assegure metade da faturação da empresa. E isto no período de uma década, diz.
A maior dificuldade da empresa tem sido o seu processo de internacionalização, diz Rosário Pinto Correia, lembrando que esta é uma "marca poderosa em Portugal, mas pouco conhecida no estrangeiro". Já o seu período mais difícil foi o incêndio de um dos pavilhões em 2014. Mas que também teve o seu lado positivo. Não só pela "mobilização dos trabalhadores, que foram inexcedíveis para por a fábrica a operar", mas porque permitiu descobrir uma série de peças que estavam guardadas num armazém "e que agora estão a servir de inspiração para fazermos outras coisas".
Uma empresa com uma gestão externa e profissional mantém o cariz familiar? "Depende do que se entender por cariz familiar. Continua a ser a vontade familiar que prevalece. O nosso mandato é claríssimo, estamos aqui a gerir por vontade deles. O património é deles, a marca é deles, a empresa é da família, em última análise é a família que decide", diz Rosário Pinto Correia. Mas garante que, no dia a dia, "os acionistas da Topázio se comportam de acordo com os valores da empresa: rigor, responsabilidade e respeito".