Topázio. Parcerias com designers de sucesso ajudam a dar novo brilho à marca

Gostava muito que as pessoas voltassem a sonhar em ter um faqueiro em prata!". Quem o diz é Rosário Pinto Correia, presidente da Topázio. Fundada em 1874, a marca é conhecida precisamente pelos faqueiros, terrinas e escravas de prata. Com os anos, os faqueiros em prata ficaram arrumados nas gavetas, mas Rosário Pinto Correia garante que são peças para usar no dia a dia. "O meu vai à máquina todos os dias e está excelente", garante. E quem não pode comprar um faqueiro de prata? "Todos temos o direito de sonhar na vida e eu gostava que os portugueses sonhassem mais. Se as pessoas poupam para comprar o carro de sonho ou a viagem porque não para ter um faqueiro de prata? Ou um faqueiro de aço com banho de prata, ou um de alpaca com banho de prata. Todos têm preços diferentes, mas o brilho é comum", defende.
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Já poucos saberão que a empresa começou pela fundição de um fio de ouro, pelas mãos do fundador, Manuel Ferreira Marques, e que só na década de 20 do século seguinte, é que a Topázio começou a trabalhar as primeiras peças de prata. A empresa era então designada por Ferreira Marques & Irmão e a marca Topázio só viria a ser registada em 1934. Em 1960 a empresa vai pela primeira vez a uma feira internacional, em Hanover, na Alemanha, e inicia o seu processo de internacionalização, muito assente nos produtos religiosos para a comunidade judaica, designadamente em Nova Iorque. "Foi o momento em que a Topázio explodiu", diz a atual presidente, Rosário Pinto Correia.

Com os anos 70 e a crise do petróleo, a Topázio desenvolveu um processo especial de "banho de prata" de modo a tornar mais acessíveis a suas peças, mas mantendo-lhes a qualidade e o brilho. Outra das inovações que lhe é apontada, é o ter associado a prata ao cristal, fazendo jarras e outras peças de decoração. O declínio da marca surge com o início do século XXI, devido aos duros efeitos da valorização do euro, mas também da decisão de abandonar toda a produção de joalharia de ouro e aço, em que havia, entretanto, feito algumas incursões. Dos 15 milhões de euros que faturava na década de 90, dando emprego a 300 pessoas, não foi além dos 2,7 milhões em 2012. Tinha 80 trabalhadores.

Embora se mantenha 100% familiar, os primos Ferreira Marques, a quarta geração na empresa, decidiram, em 2012, contratar um conselho de administração independente, liderado por Rosário Pinto Correia. A sua estratégia passou por um rebranding que permitisse "acordar e dar visibilidade à marca, pela aposta nos mercados internacionais e pela racionalização de processos". Dois anos depois, a empresa tinha já 110 pessoas e faturou 3,2 milhões. Este ano deve faturar ... Vende para mais de 20 países, mas o mercado nacional ainda vale 65%.

Parcerias com designers, arquitetos e artistas plásticos de sucesso, como Joana Vasconcelos, Cristina Santos Silva ou Sam Baron, e a abertura de lojas ou espaços dedicados à marca em hotéis e ourivesarias foram algumas das iniciativas que ajudaram a devolver o brilho de outros tempos à Topázio. Mas Rosário Pinto Correia quer mais: quer abrir uma loja no Porto e espaços Topázio em mercados internacionais. E quer que a exportação assegure metade da faturação da empresa. E isto no período de uma década, diz.

A maior dificuldade da empresa tem sido o seu processo de internacionalização, diz Rosário Pinto Correia, lembrando que esta é uma "marca poderosa em Portugal, mas pouco conhecida no estrangeiro". Já o seu período mais difícil foi o incêndio de um dos pavilhões em 2014. Mas que também teve o seu lado positivo. Não só pela "mobilização dos trabalhadores, que foram inexcedíveis para por a fábrica a operar", mas porque permitiu descobrir uma série de peças que estavam guardadas num armazém "e que agora estão a servir de inspiração para fazermos outras coisas".

Uma empresa com uma gestão externa e profissional mantém o cariz familiar? "Depende do que se entender por cariz familiar. Continua a ser a vontade familiar que prevalece. O nosso mandato é claríssimo, estamos aqui a gerir por vontade deles. O património é deles, a marca é deles, a empresa é da família, em última análise é a família que decide", diz Rosário Pinto Correia. Mas garante que, no dia a dia, "os acionistas da Topázio se comportam de acordo com os valores da empresa: rigor, responsabilidade e respeito".

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