Os trabalhadores das duas unidades industriais da Sovena, em Almada e no Barreiro, iniciaram nesta quarta-feira uma greve de um mês por aumentos salariais e pela negociação de outras matérias do caderno reivindicativo, revelou fonte sindical.
A Sovena diz estar surpreendida e não compreender as reais motivações da greve, lembrando que este ano já atribuiu um "incremento salarial médio de 5,5%, com um aumento mínimo de 50 euros mensais", além de assegurar outras regalias a todos os colaboradores.
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE Sul) defende, no entanto, que os trabalhadores da Sovena decidiram uma greve de um mês porque entenderam que era preciso dar um sinal à empresa da necessidade de se reverem matérias como salários, subsídio de alimentação e subsídio transporte.
"Infelizmente, apesar de a empresa estar inserida num grande grupo, que é o grupo Mello, não tem olhado para os trabalhadores nos últimos anos, de modo que, nos salários, por exemplo, seja, pelo menos, reposto o poder de compra", disse à agência Lusa Esmeralda Marques, do SITE Sul.
Confrontada com o facto de se tratar de uma greve prolongada, que decorre de hoje até 24 de junho, Esmeralda Marques esclareceu que o pré-aviso de greve abrange 30 dias, mas salientou que "serão os próprios trabalhadores a decidirem os períodos de greve de cada um deles".
Segundo Esmeralda Marques, a Sovena Oilseeds, em Almada, é uma empresa que "faz a extração dos óleos para produção de biodiesel e rações para animais", sendo que, parte dos óleos extraídos das sementes "é depois enviada para outra fábrica do grupo, a Sovena Consumer Goods, no Barreiro, para a produção de óleos alimentares".
De acordo com a sindicalista, um dos objetivos é, justamente, salvaguardar a segurança das instalações durante a greve, particularmente na unidade industrial de Almada, que trabalha com grandes quantidades de produtos perigosos como o biodiesel e o metanol.
Contactada pela agência Lusa, a Sovena garantiu que "está sensível à situação atual de aumento generalizado dos preços, e ao impacto causado na vida dos seus colaboradores", mas lembrou que, além do aumento salarial médio de 5,5% e do habitual cabaz de Natal, entregue em dezembro do ano passado, a empresa atribuiu também "um prémio extraordinário a todos os colaboradores".
A Sovena refere ainda que tem implementado um conjunto de vários benefícios sociais, como seguro de saúde, medicina curativa no local de trabalho, apoio psicossocial, cheque creche e subsídio de livros escolares".
A empresa alega ainda que muitas das reivindicações apresentadas pelo SITE Sul no seu caderno reivindicativo "prendem-se com matérias abrangidas por contrato coletivo de trabalho negociado pela APQuímica, associação a que pertence a Sovena, não tendo o SITE Sul tomado, nos últimos anos, qualquer iniciativa para o voltar a negociar".