Três razões para uma nova mudança da cloud

Os benefícios de agilidade, segurança e tecnologia da cloud híbrida para as empresas poderem continuar a trabalhar com toda a infraestrutura de apoio à sua operação, mas de forma remota.
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Numa altura em que voltamos a entrar em confinamento e o trabalho remoto volta a ser obrigatório para todas as empresas, algumas ainda não desenvolveram totalmente a sua infraestrutura tecnológica de forma a poderem funcionar e crescer com equipas deslocalizadas.

Andrew Brinded, vice-presidente e diretor-geral da Nutanix EMEA - multinacional tecnológica americana que fornece serviços cloud -, explica as três razões por que as empresas devem mudar para a cloud híbrida e as vantagens que podem ter ao fazê-lo.

"A adoção da Cloud acelerou durante a pandemia, na medida em que as empresas procuram implementar rapidamente aplicações, ferramentas e serviços adequados para o trabalho remoto. No entanto, a forma e os motivos pelos quais as clouds estão a ser implementadas mudou, e existem essencialmente três razões pelas quais as organizações estão a transferir cada vez mais os seus ativos para a cloud, numa mudança de mentalidade muito significativa para a progressão dos negócios", explica o responsável.

Antes de mais, Andrew Brinded defende que seria importante olhar para o contexto atual da aplicação de TI aos negócios. "Mais de metade dos líderes empresarias no Reino Unido indicaram que a cloud salvou os seus negócios na medida em que lhes permitiu continuar a operar por períodos de confinamento sucessivos. É consensual dizer que muitas, senão a maioria das empresas, irão permitir um trabalho mais flexível e doméstico, mesmo depois de a pandemia passar, e isso significa que a transição contínua para a cloud prossegue, geralmente como parte de um exercício estratégico de transformação de negócios mais amplo."

Ainda assim, a escala não pode ser exagerada, diz o especialista, justificando o argumento com um estudo da Gartner que aponta para uma transferência de gastos com infraestrutura, aplicações e outsourcing de processos de negócios, para a cloud em 2024, na ordem dos 45%. "O mesmo é dizer que os serviços de infraestrutura em cloud irão valer 63 mil milhões dólares em 2020 e 81 mil milhões em 2021, por comparação com 44 mil milhões em 2019. Por outro lado, a base de dados tradicional tem vindo a sofrer um declínio acentuado, com investimentos a caírem 10% para 188 mil milhões em 2019. Ou seja, ainda temos um caminho a percorrer, embora a linha de tendência seja muito clara."

Mas os motivos para a implementação da cloud também estão a mudar, recorda Andrew Brinded. "Inicialmente foi porque o modelo de subscrição de assinatura fazia mais sentido do que o antigo licenciamento de software empresarial. As despesas de capital foram substituídas por despesas operacionais, que as empresas pagam com base na utilidade. A flexibilidade financeira era o trunfo da cloud, e isso significava que os utilizadores podiam testar ideias a um custo muito baixo e de forma muito rápida.

Agora, porém, o panorama mudou. As empresas realmente aceitam que podem acabar por pagar mais pela cloud ao longo do tempo, comparando com instalações de TI, mas aceitam-no porque vêem as verdadeiras vantagens e sabem que vale a pena. São essencialmente três os fatores que levam as empresas a escolher a cloud, ou aquilo a que a Gartner chama de "mudança na cloud". São eles a agilidade, a segurança e a Inteligência Artificial."

Tendo em conta o momento e as suas exigências, mas também a mudança que se opera na forma de trabalhar - e que não voltará atrás - , o líder da Nutanix EMEA resume os três pontos que tornam particularmente relevante a mudança na cloud.

"1. Agilidade - Em tempos de incerteza, as empresas precisam de ser capazes de experimentar, mudar de estratégia rapidamente e aumentar ou diminuir a infraestrutura tecnológica de acordo com as suas necessidades. Comerciantes mudaram-se para o online, restaurantes transformaram-se em fornecedores de entrega ao domicílio, as reuniões presenciais passaram para o Zoom... ou seja, falamos de mudanças de cenários complexos e de mudanças que têm de ser pensadas de forma estratégica... todos estes são exemplos de como é fundamental agir rápido, e apenas a cloud tem essa flexibilidade e capacidade.

2. Segurança - Originalmente visto como um ponto fraco da cloud, o argumento inverteu-se. Poucas empresas podem proteger-se tão eficazmente quanto os fornecedores de cloud, que operam algumas das maiores bases de dados do mundo, têm a visibilidade de todas as ameaças possíveis, podem criar processos que detetam e monitorizam comportamentos suspeitos, e ainda podem contratar equipas especializadas. Tudo isto significa que a segurança se tornou um fator positivo para a cloud.

3. Inteligência Artificial (IA) - A cloud está a atuar como uma rampa de crescimento para empresas que procuram experimentar coisas novas, fornecendo as ferramentas, o poder de computação e a infraestrutura para o efeito. É indiscutível que IA avançou mais lentamente do que muitos pensavam ou previam, mas a maioria de nós concordará que é uma das tecnologias mais poderosas e promissoras que será implementada nos próximos anos, para automatizar e acelerar a tomada de decisões, processos e criação de insights.

Acredito que seja inevitável que as empresas utilizem múltiplas clouds, para evitarem o aprisionamento, mas também para poderem mudar as cargas de trabalho, quando necessário, ao longo do tempo. Usar mais do que uma plataforma cloud também irá oferecer suporte à recuperação de desastres, planeamento de continuidade de negócios e conformidade regulatória.

Todas estas mudanças não irão acontecer de um dia para o outro, mas levarão vários anos e diferentes desafios, como o da modernização de aplicações. É provável que a maioria das empresas continuem a executar algumas operações através das suas bases de dados, por mais algum tempo, mas a verdade é que já estão a agir e a migrar para várias clouds mais seguras, rápidas e decisivas. Assim estarão em melhor posição para uma recuperação e para a prosperidade, aconteça o que acontecer em 2021."

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