A empresa remonta ao início dos anos 30. Três irmãos - Margarida, Ana e Francisco - iniciaram uma pequena queijaria na aldeia de Fornos, em Santa Maria da Feira, para escoar o leite da sua produção agrícola, a Casa de Quintã. Perante a grande aceitação do produto e a falta de variedade no mercado, procuraram aprender com mestres queijeiros em França e na Holanda outros formatos e variedades para trazerem para Portugal.
Em 1934, fundam a Lacticínios MAF (o nome resulta da junção das iniciais dos três irmãos), que se dedica à produção de queijo flamengo bola, desconhecido no país. Registam a marca Rico, usando o Castelo da Feira como símbolo na embalagem, imagem que ainda se mantém. Em 1945, com a chegada de um mestre queijeiro austríaco, a empresa volta a inovar, com os queijos emental e roquefort e o fundido em triângulos. Ainda hoje é o único fabricante nacional a deter o know how e a tecnologia deste formato de queijos, que vende sob as marcas Saúde, Rico e Trinkébom.
Mantém o seu cariz familiar - são já a segunda e a terceira geração a decidir os destinos da unidade -, mas está tecnologicamente modernizada e orientada para o futuro. Transforma anualmente 3,6 milhões de litros de leite que dão origem a 600 toneladas de queijo e fatura cerca de três milhões de euros.
Os mercados externos correspondem ainda a uma fatia muito pequena das vendas. Mas está a crescer. "Exportamos cerca de 8%. Este ano já devemos chegar aos 10%. Estamos a reativar um mercado que já tivemos, que é o dos Estados Unidos. Vendemos para França, Luxemburgo, Suíça, o chamado "mercado da saudade". E, pontualmente, mas de forma ainda muito incipiente, qualquer coisa para Angola e Moçambique", explicou ao Dinheiro Vivo Margarida Pinho, responsável de marketing da empresa e neta de um dos fundadores.
País de oportunidades
A China está disponível para receber leite e derivados portugueses e a Lactimaf é uma das 32 empresas certificadas para o efeito. "A China é um país que abre perspetivas a algumas oportunidades. Não só pela dimensão da população, como pelo poder de compra, mas também porque parece existir alguma desconfiança em relação aos produtos lácteos locais, em termos de segurança e de higiene", diz Margarida Pinho, sublinhando que "o mercado é tão grande que dá para todos".
A Lactimaf já registou as suas marcas no país, iniciou contactos comerciais e espera em breve começar a exportar os seus produtos. Recentemente, um grupo de potenciais compradores chineses visitaram a fábrica. "Provaram, gostaram de tudo. Pensámos que iam achar mais piada aos "triângulos", mas mostraram maior recetividade aos queijos tipo prato [curados ou amanteigados]. Vale o que vale, não temos nada certo, vamos ver", afirma.
Já este ano, a empresa, que conta com 28 funcionários, terminou um projeto de 800 mil euros na modernização da sua linha produtiva, apoiado pelo Proder. "Mais do que aumentar capacidade, quisemos ganhar eficiência e produtividade em algumas fases do processo", explica Margarida Pinho ao Dinheiro Vivo. O certo é que a Lactimaf tem hoje capacidade para crescer, o que lhe permite admitir procurar clientes no mercado chinês.
Quanto ao mercado interno, A Queijeira é a marca com mais visibilidade e vale cerca de metade das vendas. Mas a empresa não pára e lançou recentemente alguns produtos inovadores, como o queijo creme com camarão, com nozes e com presunto, que espera venham a fazer grande sucesso. "O consumidor evoluiu, é mais inteligente. Quer produtos com uma boa relação qualidade preço e produtos diferenciadores e é isso que procuramos dar-lhe", sublinha Margarida Pinho.