Tripulantes da Ryanair avançam com greve de três dias em Portugal na próxima semana

Os tripulantes da low-cost irlandesa vão avançar com uma greve nos dias 24, 25 e 26 de junho.
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Os tripulantes de cabine da Ryanair em Portugal vão avançar com uma greve de três dias entre 24 e 26 de junho. Os trabalhadores exigem o cumprimento da lei portuguesa bem como melhores condições laborais. O anúncio desta paralisação acontece após as estruturas sindicais de Portugal, Espanha, França e Bélgica terem exigido à low-cost irlandesa, no passado mês de maio, uma resposta às suas reivindicações, conforme o Dinheiro Vivo avançou.

De acordo com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) "a empresa não demonstrou vontade de emendar condutas e cumprir com o estabelecido na lei portuguesa" pela via da negociação e diálogo e, por isso mesmo, avançará com uma greve, que não contemplará serviços mínimos.

"Uma vez que estão assegurados os voos de ligação entre as regiões autónomas dos Açores e da Madeira e o Continente através de outras operadoras (TAP, Azores Airlines e easyJet), existem meios alternativos de transporte aéreo. Razão por que se entende não haver fundamento, no caso concreto, para a fixação de quaisquer serviços mínimos", esclarece o SNPVAC em comunicado.

A estrutura sindical explica que não conseguiu chegar a um entendimento com a companhia liderada por Michael O'Leary para a realização de um Acordo de Empresa (AE) que cumprisse "as regras estabelecidas na legislação portuguesa", nomeadamente no que refere ao pagamento dos subsídios de férias e Natal e ao gozo de férias.

"Esta mobilização não é apenas uma oportunidade de colocar os holofotes sobre os múltiplos ataques à dignidade dos trabalhadores e para que esta realidade seja conhecida, mas também um momento de nos mostrarmos unidos e solidários contra o dumping", acrescenta.

O SNPVAC sublinha que "as condições de trabalho se têm deteriorado, por culpa exclusiva do comportamento persecutório da empresa". "A Ryanair continua a tratar os trabalhadores sem o mínimo de dignidade e probidade inerente à posição de empregadora", acusa.

O anúncio da greve em Portugal surge um dia depois de também os tripulantes espanhóis terem convocado uma paralisação de seis dias, com duração de 24 horas, entre junho e julho, exigindo a retoma das negociações do acordo coletivo. Já em França, os trabalhadores desta funções estiveram em greve nos passados domingo e segunda-feira, dias 12 e 13, e vão apresentar um novo pré-aviso de greve para o final de junho.

O CEO da Ryanair, Michael O'Leary, disse na última conferência de imprensa em Portugal, no final de maio, que não contava que as ameaças de greve se concretizassem. "Não esperamos que hajam greves este ano, porque as negociações com os sindicatos estão a prosseguir e esperamos que sejam bem sucedidas", referiu na altura aos jornalistas.

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