Enquanto milhares de funcionários públicos de todo o país e de vários setores estão a descer a avenida da Liberdade gritando palavras de ordem a exigir o fim da política de austeridade e a demissão do Governo, o movimento "Que se Lixe a Troika" convocou, através das redes sociais, uma concentração às 19:00 em frente à residência de Passos Coelho, em Lisboa, e à Câmara Municipal, no Porto.
Na manifestação promovida pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, os manifestantes saíram da Praça Marquês de Pombal, pouco depois das 15:00, em direção ao Ministério das Finanças, onde vai terminar a manifestação nacional.
O desfile é encabeçado pelos principais dirigentes sindicais da função pública, acompanhados pelo secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.
Já o movimento "Que se lixe a troika" anunciou para hoje, às 19:00, junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, e à Câmara Municipal do Porto, concertações para pedir novamente a demissão Governo.
As concentrações deste movimento foram anunciadas após o ministro das Finanças, Vitor Gaspar, ter divulgado mais medidas de austeridade e ter feito o balanço da sétima avaliação da troika, disse à agência Lusa uma das subscritores do movimento, Myriam Zaluar.
O objetivo é o mesmo: pedir a demissão do Governo. Os organizadores do protesto, na capital e na invicta, apelam às pessoas para que levem lenços brancos, para "mais uma vez" pedirem a demissão do Governo, e tampas de panelas, para que sejam ouvidos, numa concentração ruidosa, adiantou Myriam Zaluar.
Em Lisboa e no Porto as concentrações estão marcadas para as 19:00. Em Aveiro decorrerá às 17:00, para coincidir com a visita do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, segundo a organização.
"Protestamos contra o total fracasso das políticas do Governo e não estamos na altura de deixar esmorecer o protesto", disse ainda Myriam Zaluar.
A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, disse à agência Lusa, no início do percurso, que a ação de hoje visa mostrar ao Governo que os trabalhadores da função pública estão contra a política de austeridade em curso e querem a sua demissão.
A sindicalista criticou os números hoje divulgados pelo Governo sobre o aumento do desemprego e sobre o fracasso das metas do défice considerando que são a prova de que o Governo não está a defender os interesses dos trabalhadores portugueses.
Arménio Carlos também manifestou à Lusa a sua preocupação com o aumento do desemprego e disse que Portugal foi posto numa situação semelhante à que se vive na Grécia.
O líder da intersindical pediu a demissão do Governo e apelou aos trabalhadores da função pública e do setor privado, e à generalidade da população portuguesa, para saírem à rua e forçarem a demissão do executivo.
Ana Avoila não quis adiantar o número de participantes no protesto porque o percurso ainda estava no início.
Por volta das 16:00 os manifestante enchiam completamente a avenida da Liberdade entre os Restauradores e o Marquês de Pombal, que estava ainda cheio de gente.
Os manifestantes fizeram grande parte do percurso ao som da "Grândola Vila Morena", que intercalavam com palavras de ordem contra o Governo.
Entre as palavras de ordem entoadas, não faltaram também algumas contra a falta de atuação do Presidente da República para inverter o desemprego e o empobrecimento do país.