O tráfego aéreo deverá registar um crescimento exponencial nas próximas décadas. Segundo previsões do construtor norte-americano Boeing, a frota global de aviões comerciais dará um salto das 19 mil unidades registadas em 2010, para mais de 36 mil em 2030.
Este novo cenário está a impor transformações radicais em todas as áreas relacionadas com a aviação, desde a concepção dos aeroportos, até à gestão global do tráfego, passando pelo desenho dos próprios aviões. Estas mudanças têm um denominador comum: poupar combustível e reduzir as emissões de CO2. O jornal espanhol Expansion traça as cinco grandes tendências que vão marcar a aviação num futuro próximo.
1. Aerodinâmica: Em busca de formas revolucionárias. Os últimos desenvolvimentos de aeronaves dos grandes construtores (Boeing e Airbus) centraram-se na utilização de materiais como estruturas em fibra de carbono, mas já é preciso ir mais além. E já há exemplos em cima da mesa. A NASA desafiou a Boeing a desenhar uma aeronave que estivesse duas gerações à frente das existentes, mais eficiente em termos energéticos e com menos ruído. A construtora criou um avião de formas inovadoras, que permite alcançar 85% da velocidade do som e gastar 50% menos combustível.
2. Novas fontes de energia. Um boletim da Airbus informava, recentemente, que uma das possibilidades de futuro é o hidrogénio, já utilizado em automóveis. O óbice é que este componente não existe em estado puro, o que requer o emprego de demasiada energia na sua produção. Outras vias em estudo são a fusão nuclear ou a superconductividade (a capacidade de alguns materiais em conduzirem corrente eléctrica), estando também a ser experimentadas energias renováveis para alimentar as cabines.
3. Materiais. A busca de materiais mais leves é uma das chaves da aviação do futuro. O 787 Dreamliner da Boeing já é feito, em 50%, com fibra de carbono, menos pesado que as tradicionais placas de alumínio. Outras possibilidades passam pelo uso de cerâmicas avançadas para substituir os componentes metálicos ou novas ligas de alumínio que suportam grandes tensões e cuja produção pode ficar mais barata que a fibra de carbono.
4. Cabines. O conceito da Airbus para o avião comercial em 2050 é um aparelho com tecto transparente que permite ao passageiro apreciar as vistas durante o voo, bancos ergonómicos e um espaço de realidade virtual onde se pode jogar golfe ou fazer compras. O interior estará dividido em zonas adaptadas às necessidades dos passageiros, com uma zona revitalizante, com ar enriquecido, iluminação ambiental, aromaterapia e tratamentos de acupunctura. Já na zona interactiva, poderá desfrutar-se de jogos ou de uma tarde de compras através de hologramas de realidade virtual.
5. Velocidades supersónicas. Um dos maiores desafios dos contrutores é o regresso à velocidade supersónica na aviação comercial. Há oito anos que o Concorde deixou de voar, mas já se perfila um herdeiro: chama-se projecto ZEHST e está a ser desenvolvido pela Astrium. O objectivo é criar uma aeronave que atinja os 5 mil quilómetros por hora (quatro vezes a velocidade do som) e com baixas emissões de gases poluentes (através da utilização de combustíveis biológicos). Poderá transportar entre 60 a 100 passageiros, voando por cima da atmosfera, 32 quilómetros acima do nível do mar.