O Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) está sem dinheiro para pagar os custos de funcionamento e os salários dos funcionários depois de 31 de janeiro. Esta situação poderá provocar o encerramento dos postos de turismo do Aeroporto do Porto e de S. Bento (no centro da cidade), como denuncia o presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho.
A Direção-Geral do Orçamento (DGO) estará na origem da cativação de 100% das verbas que deveriam ser transferidas para a entidade. Contactado, o Ministério das Finanças assegurou que já foi autorizada a descativação das referidas verbas. No entanto, nem a autorização nem o dinheiro terão chegado ao Turismo do Porto e Norte.
Mal-estar na Fitur
O Dinheiro Vivo sabe que Melchior Moreira, presidente da entidade, alertou a secretária de Estado do Turismo e o ministro da Economia para as graves consequências da cativação de verbas, sem as quais não poderá pagar os custos de estrutura e de pessoal já a partir de 31 de janeiro. A situação terá causado algum constrangimento no passado fim de semana, durante a Fitur, em Madrid, em que o ministro da Economia, Caldeira Cabral, anunciou um reforço do investimento no turismo. Os governantes terão assegurado que envidariam os melhores esforços para desbloquear a situação e o “erro técnico” da DGO já terá sido corrigido. Contudo, a TPNP ainda não teve acesso às verbas.
“O Turismo do Porto e Norte vai ficar completamente inoperacional se as verbas não chegarem até ao fim do mês”, alerta Desidério Silva, presidente da Associação Nacional de Turismo, a entidade que agrupa as entidades regionais do Algarve, do Alentejo, do Centro, do Porto e Norte e da Madeira.
“Já no ano passado, as regiões foram prejudicadas pelos cortes e cativações e, em 2018, continuam a sê-lo. Mas nenhuma de forma tão grave como o Porto e Norte”, confirmou o responsável, que preside ainda ao Turismo do Algarve.
Orçamento de 14 milhões
A entidade pública responsável pelo Turismo do Porto e Norte aprovou em outubro um orçamento de cerca de 14 milhões de euros para atividades de promoção externa da região, eventos internacionais e turismo acessível, em 2018.
Na altura, o presidente Melchior Moreira explicou que o plano de atividades iria ser trabalhado, pela primeira vez, em sintonia com os objetivos da promoção externa do Porto e Norte de Portugal, extrapolando as fronteiras da Península Ibérica e indo ao encontro das tendências que o território tem sentido por parte de outros mercados mundiais.
Desidério Silva recorda que “os cortes existem desde 2015”, mas agravaram-se no ano passado, inviabilizando particularmente os programas de promoção turística e de estruturação de produto no Algarve, a região com mais dormidas em todo o país e que, ao contrário das restantes, não tem acesso a fundos comunitários que possam ser canalizados para tal.