Turismo é ainda um setor subaproveitado

Comércio, alojamento e restauração representam 42% do volume de negócios da Beira Baixa, Beiras e Serra da Estrela.
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"Nesta região, o turismo tem tido crescimento significativo na última década e acredito que este seja ainda um setor subestimado, com um potencial de crescimento muito forte. Verificamos que 81% das dormidas registadas são de portugueses e há ainda potencial para desenvolver a procura externa", explica Carlos Andrade, economista chefe do Novo Banco, na sua apresentação sobre a região da Beira Baixa, Beiras e Serra da Estrela. Para ele, a economia pós-pandemia, será, com certeza, diferente e poderá existir uma maior procura pelo turismo de menor densidade, uma maior procura de bens e experiências mais genuínos e mais próximas da natureza. "Acredito que a região poderá aproveitar bem esta vertente", diz.

Esta região que vai da Guarda a Castelo Branco, passando pelo Fundão e Covilhã representa cerca de 2,1% do PIB português, 2,8% da população nacional e 1,7% do investimento nacional. A economia destes dois distritos estava a crescer ligeiramente acima da média nacional antes da pandemia.

Quanto à distribuição do volume de negócios das empresas locais, destaca-se o comércio, o alojamento e a restauração, atividades que no conjunto das duas regiões têm 42% dos negócios. "Estes são setores particularmente afetados pelo contexto pandémico, o que representa um desafio importante, o de preservar a capacidade produtiva, para que a região possa recuperar em pleno", explica este especialista.

Destaca-se ainda o peso significativo na indústria transformadora, com percentagens expressivas: de 34% na Beira Baixa e 27% nas Beiras e Serra da Estrela. Esta atividade revela uma estrutura muito diversificada, embora com realce para os equipamentos elétricos, a maquinaria, a metalurgia, a têxtil, a celulose e o agroalimentar. Esta diversificação setorial é muito evidente nas exportações: no conjunto das duas regiões, encontramos as mesmas áreas nas vendas para o exterior, com a indústria agroalimentar a representar um desempenho mais positivo do que as restantes. "Aliás, toda a indústria transformadora tem um desemprenho favorável, em contraste com os serviços, durante este período de confinamento", esclarece.

Como ponto positivo na região, destacou o facto de esta ter um saldo da balança comercial de bens equilibrado ou ligeiramente excedentário, contrariamente ao que acontece em Portugal. "Não há uma economia que possa crescer de forma sustentada com o acumular permanente de défices externos", explica.

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