Uber lança serviço no Porto com gama média de veículos

Chegada a Lisboa, em julho, com o serviço de topo, a Uber arranca hoje no Porto e em Lisboa com o serviço de gama média. Contestada em todo o Mundo, a app "não vai ter hipótese" no Norte, diz Raditáxis.
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A Uber, empresa de origem norte-americana, sediada na Holanda, chegou a Lisboa há poucos meses e inicia hoje serviço no Porto. "Começámos em Lisboa com o Uber Black, que é o serviço premium, com viaturas de topo e motoristas licenciados, e agora achamos que está na altura de avançar na expansão, com o Uber X, que corresponde a viaturas de gama média e também com motoristas licenciados", explica Rui Bento, o novo diretor geral da empresa em Portugal.

Enquanto que a tarifa mínima para o Uber Black é de 8 euros (2 euros de base, mais 0,30 euros por minuto e 1,10 euros por km), no caso da Uber X o mínimo a pagar desce para 2,5 euros (1 euro de base, 0,10 euros por minuto e 0,65 euros por km). Os motoristas recebem 80% do valor pago (os pagamentos são feitos através de cartão de crédito) e a empresa diz que está a "ultimar o programa de emissão de faturas".

"Somos uma alternativa segura, fiável e conveniente que cria valor nas cidades onde operamos", assegura Rui Bento, afastando críticas de que têm sido alvo relativamente à segurança dos passageiros (uma cliente foi violada por um motorista, na Índia), à fuga aos impostos (os pagamentos são canalizados para a Holanda, só o que os motoristas pagarem de IVA ou IRS fica cá) e à concorrência desleal com os taxistas, que obedecem a várias dezenas de exigências de licenciamento para poderem operar. "Isso coloca-se mais no caso da Uber Pop, que permite que qualquer pessoa se inscreva como motorista, mas não vamos ter isso em Portugal", assegura o responsável, que também garante serem devidamente escrutinados os candidatos a motoristas "através dos registos criminais e de entrevistas".

Mário Ferreira, presidente da Raditáxis, a maior cooperativa de táxis da cidade, com 440 dos 728 carros licenciados, não está preocupado "com a concorrência da Uber", nem planeia "manifestações de taxistas que só funcionam como publicidade de borla", como sucedeu ontem em Paris (e que culminou na proibição da Uber, a partir de 1 de janeiro, à semelhança do que já foi decretado em Espanha, na Alemanha, na Bélgica e na Holanda).

"A Uber não vai ter sucesso no Porto", vaticina, seguro. "As pessoas não vão meter-se num carro descaracterizado que não está legal, com um motorista que ninguém sabe quem é", adianta. "Mas devo dizer que isto é mesmo a República das Bananas, se os deixarem andar. Os taxistas são constantemente inspecionados pela polícia, pela ASAE, pelas Finanças, têm de andar sempre com um dossier de licenças atrás, já para não falar do que pagam para isso tudo", queixa-se. A Raditáxis também tem, há dois anos, uma app que permite chamar táxis pelo telemóvel e a tarifa mínima, definida pelo Governo, é de 3,25 euros.

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