Ucrânia: Pânico de investidores obriga Kiev a negociar apoios com FMI, UE e EUA

"Queremos criar uma reserva de fundos que nos permita cobrir todas as necessidades financeiras este ano", disse o ministro das Finanças ucraniano a uma televisão local
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A Ucrânia está a negociar apoios financeiros com o Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia (UE) e Estados Unidos devido ao medo dos investidores em investir no país, disse o ministro das Finanças ucraniano.

"Temos de mudar completamente o foco para empréstimos diretos. Estamos atualmente a negociar ativamente com o FMI, a Comissão Europeia e os EUA", disse Serhiy Marchenko a uma televisão local, citado pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.

Marchenko justificou a decisão com o que descreveu como uma "situação desfavorável" nos mercados devido ao pânico dos investidores e a ataques de desinformação contra a Ucrânia.

"Os investidores estão relutantes em comprar as nossas obrigações", afirmou.

Marchenko disse que o Canadá já prestou apoio direto à Ucrânia e que "a França e a Alemanha também se comprometeram a prestar assistência".

"Queremos criar uma reserva de fundos que nos permita cobrir todas as necessidades financeiras este ano", disse.

Marchenko lembrou que a Comissão Europeia lançou recentemente um novo programa de emergência de assistência macrofinanceira à Ucrânia no valor de 1.200 milhões de euros.

O ministro ucraniano disse que a primeira parcela desse programa, correspondente a metade do total, "é incondicional".

A parcela seguinte, também no valor de 600 milhões de euros, "prevê o cumprimento de certas condições" durante o primeiro semestre deste ano, para que a Ucrânia possa receber os fundos.

"Estas questões são técnicas e dirão respeito à economia, energia e, talvez, medidas anticorrupção", disse Marchenko, citado pela Ukrinform.

O ministro ucraniano disse que o Parlamento Europeu deverá adotar uma decisão relevante em 14 de fevereiro, numa referência à aprovação do pacote anunciado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 24 de janeiro.

Na altura, Von der Leyen disse que o pacote de ajuda de emergência se destina a auxiliar a Ucrânia a "resolver as suas necessidades de financiamento devido ao conflito" com a Rússia.

"Deixem-me ser clara mais uma vez: a Ucrânia é um país livre e soberano e faz as suas próprias escolhas e a UE continuará a estar ao seu lado", disse então a presidente da Comissão Europeia.

Desde 2014, a UE e as instituições financeiras europeias já atribuíram mais de 17.000 milhões de euros em subvenções e empréstimos à Ucrânia, tendo ainda criado um plano de investimentos para o país que visa mobilizar um total de 6.000 milhões de euros.

A Presidência da Ucrânia disse anteriormente que o país espera receber pelo menos 3.000 milhões de dólares (cerca de 2,6 mil milhões de euros) ao abrigo de programas de assistência de parceiros ocidentais, segundo a Ukrinform.

No final de janeiro, o Presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, disse que "líderes de países respeitados" emitiram mensagens alarmistas sobre a iminência de uma guerra entre a Ucrânia e a Rússia que geraram "pânico no mercado e no setor financeiro".

Este alarmismo prejudicou a Ucrânia em 2.500 milhões de dólares (mais de 2.100 milhões de euros) de investimentos, segundo dados citados pela agência espanhola EFE em janeiro.

Zelensky admitiu na altura que Kiev teria de gastar entre 4.000 milhões e 5.000 milhões de dólares (cerca de 3.500 milhões e de 4.300 milhões de euros) das reservas do país para estabilizar a moeda ucraniana, a grívnia.

"É o preço que pagamos pela política informativa desequilibrada", afirmou então.

A Ucrânia e os seus aliados ocidentais acusam a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de tropas na fronteira ucraniana para invadir novamente o país, depois de lhe ter anexado a península da Crimeia em 2014.

A Rússia nega qualquer intenção bélica, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Os EUA e a UE têm acusado a Rússia de levar a cabo campanhas de desinformação sobre a Ucrânia, além de alegados ciberataques contra serviços ucranianos, como parte da sua estratégia para desestabilizar o país.

Com mais de 41 milhões de habitantes, a Ucrânia é o segundo maior país da Europa em área, depois da Rússia.

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