Última greve geral foi há um ano

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A segunda greve-geral que juntou as duas centrais sindicais, UGT e CGTP, teve lugar em 24 de Novembro de 2010, 22 anos após a primeira greve que paralisou totalmente o país, e 36 anos após a legalização dos sindicatos em Portugal, após o 25 de Abril.

Dos três milhões de grevistas, os sindicatos disseram que apenas um milhão será

do sector público e dois do sector privado.

Na altura, os dois sindicatos indicaram que cerca de três milhões de trabalhadores aderiram à greve, mas a

ministra do Trabalho rejeitou o balanço.

"Apesar de ainda estarmos em avaliação dos

dados relativos à greve geral de hoje, estamos em condições de dizer que a ela

aderiram mais de três milhões de trabalhadores", disse então o secretário-geral da CGTP,

Carvalho da Silva.

Segundo o líder sindical, a greve de há um ano atrás foi "sem sombra de dúvida, a greve geral com mais impacto

que já realizámos até hoje".

O secretário-geral da UGT, João Proença, acrescentou, à altura, que esta "foi uma grande jornada de contestação às políticas, uma grande jornada

que traduziu esperança num futuro melhor, uma jornada de solidariedade em que

mesmo quem não fez greve se solidarizou com quem fez". João Proença recordou que

na greve geral de 1988 a população activa era de pouco mais de três milhões de

trabalhadores, e que hoje esse número é de mais de quarto milhões.

Primeira greve-geral foi em 1988A primeira greve-geral a juntar as duas centrais sindicais teve lugar em 1988 para protestarem contra um pacote de medidas para o emprego, por parte do Governo liderado pelo primeiro-ministro Cavaco Silva.

Muitas coisas mudaram entre o Portugal no final da década de oitenta, e o Portugal no início do século XXI. O desemprego este ano é o dobro do verificado no século passado, a inflação era de 9,6% e para este ano o Banco de Portugal prevê uma taxa de 3,3%.

Em 1988, um trabalhador recebia em média 225 euros, actualmente o rendimento médio dos portugueses é de 840 euros.

Há 22 anos atrás, o país era mais pobre mas tinha menos de metade dos desempregados actuais. A taxa

de desemprego foi de 5,6%, os últimos dados em Portugal apontavam para os 12,3% de desempregados, em Agosto.

Na primeira greve geral, as contas públicas portuguesas estavam mais controladas. O défice público à altura era

de 3,6%, e para este ano o Governo acordou com a troika alcançar a meta de 5,9% do PIB.

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