O valor das empresas”. Foi este o tema do congresso da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) deste ano, no qual fiz parte de um painel sobre digitalização. Um dos assuntos debatidos foi termos um país a duas velocidades. Temos o Portugal tecnológico, das startups e da inovação, e temos um Portugal das pequenas e médias empresas, ou das empresas mais tradicionais, cuja luta pela sobrevivência se acentua à medida que competem com um mercado global, com processos e linhas de produção otimizadas e altamente digitais ou mesmo robotizadas..Esse fenómeno - a digitalização - não é uma tendência passageira nem mais uma responsabilidade exclusiva do engenheiro informático ou da pessoa na empresa que “lida com os computadores”. Tem de integrar parte do ADN da organização..O desenrascanço tão característico da nossa população, e do qual tanto nos orgulhamos, é também responsável pela manutenção de modelos de negócio obsoletos, técnicas de trabalho não competitivas e a insistência em produtos que não são necessariamente os melhores. Foca-se a atenção no problema imediato e resolve-se, mas falta uma visão de longo prazo e concentrada na raiz do problema..Põe-se então a questão: como digitalizar uma empresa mais tradicional? Ter um website ou um grupo numa rede social é apenas uma pequeníssima parte do uso que se pode dar à tecnologia de modo a aumentar a eficiência e o alcance de um negócio. Consequência de o mercado de trabalho em Portugal ser pouco dinâmico - sobretudo pela forma como lei laboral está desenhada - acaba por não se estimular a troca de experiências, a inovação, a exposição a diferentes realidades, a partilha de experiências e a construção de redes de apoio a que se possa recorrer para resolver os muitos e novos desafios que vão surgindo..A única resposta para a modernização é aprender com quem já fez, e isso consegue-se através das redes de pessoas e da partilha de experiências..Mais, cada um de nós tem hoje no bolso a mesma quantidade de informação que os mais altos cargos da política ou da economia têm. Foi este acesso democratizado e livre à informação que mudou o mundo. A tecnologia permite a aprendizagem e o estudo de casos de sucesso, e encontrar pessoas com as quais criamos redes de apoio e aprendemos criando uma comunidade global..Poucos dos fundadores de startups de sucesso souberam de antemão como resolver a maioria dos desafios que enfrentaram: como crescer, executar a sua visão ou expandir para novos mercados. É o largo uso de tecnologias de informação que os leva a encontrar mais facilmente pessoas que lhes possam indicar a direção certa. E é isso que falta às empresas mais tradicionais: procurar e criar essas redes de pessoas e de conhecimento. Só desta forma o país na velocidade mais lenta conseguirá acelerar e entrar também na autoestrada da digitalização..Venture Partner