Um país em modo de derrapagem

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Certo é que a evolução do rendimento das empresas e das famílias, o crescimento do PIB e a sustentabilidade do Estado Social são determinados pela produtividade, isto é, pelo valor da produção por unidade de trabalho ou de capital investido.
Ora, em termos de produtividade, éramos o 18º país da UE em 2013, somos agora o 23º. Atrás de nós só a Hungria, Eslováquia, Grécia e Bulgária, o que explica a razão pela qual Portugal vai desabando para a cauda da Europa.
Certo é que os fundos estruturais, destinados a promover o desenvolvimento económico e social, atingiram recordes nos últimos anos. Todavia, mal aplicados, tantas vezes subtraídos ao investimento e à alavancagem da economia a benefício da despesa corrente que deveria ser financiada pelo OE, e com acentuados atrasos na execução, veem o seu efeito gravemente penalizado.
Dos 16,6 mil milhões do PRR, a vigorar de 2021 a 2026, deveriam ser aplicados até ao fim de 2023 cerca de 10,4 mil milhões de euros. Foram executados 2,6 mil milhões.

Do PT 2020, com prazo de 2014 a 2020 e adiado até 2023, ainda estão 2,4 mil milhões por executar. E do PT 2030, a decorrer de 2021 a 2027, no montante de 23 mil milhões de euros, apenas cerca de 4% dos concursos foram abertos, no valor de 870 milhões de euros.
Não investindo ou investindo mal, naturalmente que o PIB potencial e a economia não crescem.
Certo é que, de 2011 para 2022, o salário médio mensal dos licenciados regrediu de 1570 para 1359 euros e o dos não licenciados baixou de 920 para 918 euros. E assim, sem investimento, sem produtividade e, consequentemente, sem rendimento, o país mais bem formado de sempre não cresce e emigra ao encontro de opções que em Portugal não encontra.

Nada que desassossegue o 1º Ministro.

Demitiu-se, no Conselho de Estado, de participar na análise da situação económica e social do país, para ver na Nova Zelândia a estreia da seleção no mundial de futebol feminino, e mudo continuou no prosseguimento da sessão em setembro, desrespeitando a instituição e os seus deveres de 1º Ministro.
E numa economia em modo de derrapagem, guarda a voz para anunciar virtuais medidas ad-hoc, simulando governar, e a criar inimigos externos para prevenir o natural insucesso. Agora é o BCE, por combater a inflação, o maná de que o governo tanto se vem servindo.

Economista

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