O Twitter ganha mais ou menos cinco novos utilizadores por segundo. A contagem vai nos 342 milhões de contas, mais uns trocos. E a cada grande evento são batidos novos recordes de tweets enviados - a final do Campeonato do Mundo de futebol feminino, há duas semanas, detém o actual recorde de 7196 mensagens curtas por segundo.Portanto, as notícias da "morte" do Twitter foram largamente exageradas. Falou-se do fenómeno como um exemplo provável de start-up que incha rapidamente e rebenta de um momento para o outro. Duvidou-se que fosse capaz de resistir à curva descendente descrita pela Gartner no seu "hype cycle". Principalmente porque a sua ascensão meteórica coincidiu com a altura em que o Facebook ultrapassou o MySpace e se tornou no titã das redes sociais. O fenómeno do Twitter é extremamente interessante. É como um motor de busca da sociedade; basta olhar para o top mundial de trends para perceber o que se está a passar no mundo - um item chega a trend mundial se tiver algumas centenas de referências por minuto, embora também sejam importantes os trends regionais. Pena que Portugal ainda não tenha direito a estatística oficial.Logo a seguir aos atentados na Noruega, #oslo, "norway e #explosions chegaram ao top. Mas uns dias depois, o trend tinha mudado para algo muito mais complexo: #blamethemuslims. O Twitter é diferente de qualquer rede que tenhamos usado até hoje, e esse é o motivo pelo qual continua a crescer. Ao contrário do Facebook, não é uma vitrine para exibir o círculo social bem sucedido em que alguém se insere (ou finge inserir). Também não é uma representação das relações que temos na vida real. Ao pé do Twitter, o Facebook parece uma ligação RDIS: lento, lento, parado. Uma pessoa habitua-se a ter reacções imediatas aos tweets, como se estivesse em permanente conversa de messenger com o mundo. Criam-se laços e estragam-se relações em dez minutos. É impossível que, a médio prazo, isto não provoque alterações sociais de relevo - principalmente devido à importância política que o Twitter tem, muito maior que a do Facebook. Não foi por acaso que o presidente norte-americano Barack Obama fez um "town hall" em directo através do Twitter. Outra coisa curiosa é que muitas vezes quem vive pregado no Twitter não usa o Facebook, e vice-versa. Uma espécie de reflexo da personalidade, como quando se diz que se é uma pessoa de cães ou pessoa de gatos. O que será realmente interessante de ver nos próximos tempos é como é que o Twitter vai capitalizar nestes milhões de utilizadores e tweets diários (mais de 20 milhões) e tornar-se lucrativo sem chatear as pessoas. Está previsto que comecem a aparecer anúncios no meio dos tweets lá para Setembro, e a reacção das pessoas é uma grande incógnita. Além disso, o Google + está quase a sair da fase beta para o consumo massivo. O CEO do LinledIn diz que não há espaço para tanta rede, e tem razão. E como se viu pelo MySpace, não há vitórias duradouras neste jogo.