Os efeitos do aumento do custo de vida, a subida das taxas de juro e o constante incremento dos preços da habitação travaram o fulgor do mercado imobiliário português. Entre abril e junho deste ano, foram apenas vendidas 33 624 casas, uma quebra homóloga de 22,9%, avança esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Desde 2017, quando o mercado imobiliário disparou e sem contar com o efeito da pandemia na atividade, que não se vendiam tão poucas casas. Segundo os dados do INE, é preciso recuar ao terceiro trimestre de 2017 para se encontrar um número inferior de imóveis residenciais vendidos (32 722).
Nestes últimos cinco anos, só no período mais agudo da pandemia (segundo trimestre de 2020) é que se venderam menos casas (26 379). Recorde-se que por esses meses o país vivia o seu primeiro confinamento. Foi uma situação extraordinária.
Os dados disponibilizados hoje pelo INE sobre o mercado habitacional português dão também nota que o segundo trimestre deste ano é o quarto trimestre consecutivo em que se regista uma redução do número de transações.
Estrangeiros compram menos
Com a forte quebra no número de negócios, verificou-se um decréscimo no valor transacionado. Assim, entre abril e junho, as casas vendidas geraram um volume de transações de 6,9 mil milhões de euros, menos 16,7% face ao mesmo período do ano passado.
A venda de casas usadas atingiu os cinco mil milhões de euros no segundo trimestre deste ano, verificando-se uma quebra homóloga de 20,7%. Foram adquiridas 26 799 residências, menos 25% face ao verificado em igual data de 2022.
As habitações novas geraram vendas de 1,9 mil milhões, menos 4,1% face ao mesmo período de 2022. Nestes três meses em análise, contabilizaram-se 6 825 transações de casas novas, uma redução homóloga de 13,2%.
Entre abril e junho, a venda de casas às famílias caiu 24,7% face a idêntico período de 2022. As transações efetuadas por famílias valeram 5,8 mil milhões de euros, uma redução homóloga de 19,5%.
A venda de casas a estrangeiros também acompanhou esta tendência de quebra. Segundo o INE, verificou-se uma descida de 8,9% na alienação de habitações a compradores com domicílio fiscal fora do território nacional, para um total de 2 535 unidades.
As aquisições por compradores da União Europeia fixaram-se em 1 174 unidades, menos 24,5% face a idêntico período de 2022, enquanto as transações da categoria de domicílio fiscal restantes países aumentaram 10,8% para 1 361 habitações.
Preços aumentam 8,7%
Os preços das casas é que se mantêm em alta. O custo da habitação voltou a aumentar 8,7% no segundo trimestre deste ano, subida idêntica à verificada nos primeiros três meses de 2023.
Os residências usadas registaram um aumento dos preços de 9%, menos 0,7 pontos percentuais (pp) que no trimestre anterior. Nas habitações novas, a subida foi de 8%.
A taxa de variação média anual do índice de preços da habitação fixou-se em 10,4% no segundo trimestre deste ano, 1,1 pp abaixo da apurada nos três meses anteriores.
Entre abril e junho, a taxa de variação média anual dos preços das habitações existentes cresceu 11,4% e subiu 7,3% nas habitações novas.