Venda de casas mais caras ajuda imobiliárias a ter novo ano recorde

As três principais mediadoras imobiliárias a operar em Portugal - a Remax, a Era e a Century 21 - estão a vender mais casas e de preços mais elevados e isso já se refletiu nos resultados do ano passado. As 56,7 mil transações de venda e arrendamento que estas empresas fecharam em 2014 em 2014 equivaleram a casas avaliadas em 2,9 mil milhões de euros. Foi mais 45% que no ano anterior e o valor mais alto de sempre desde que estas três empresas estão a operar no país.
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A Remax foi a que registou o volume mais significativo, mediando 38593 imóveis avaliados em 1,5 mil milhões de euros, mais 38,29% que em 2013. Seguiu-se a Era, que mediou 18 mil operações avaliadas em mil milhões de euros e a Century 21 que mediou 9990 transações avaliadas em 397,6 milhões de euros, mais 39% que em 2013.

A justificar esta realidade está, como já referido acima, o facto de as empresas terem voltado a fazer mais vendas que arrendamentos.

Na Century 21 as vendas mediadas cresceram 7,3% e os arrendamentos caíram 10%. Já na Remax, as vendas subiram 23% e os arrendamentos recuaram 13%, e na Era, os arrendamentos passaram a representar 25% do total mediado quando em 2013 pesavam 34%. Além disso, o valor médio das casas transacionadas para venda aumentou. Por exemplo, na Century 21, os preços subiram 40%, passando de 100 mil para 140 mil euros.

Mas isto não quer dizer que os preços estão mais altos ou a subir. Uma das explicações para esta tendência está no facto de haver mais estrangeiros no mercado a comprar imóveis mais caros ou mesmo de luxo, em zonas como o Estoril, Cascais ou Algarve. E não, não se tratam apenas de chineses em busca de vistos gold.

Na Century 21 e na Era, as operações com estrangeiros cresceram siginificatimente e representam, respetivamente, 15% e 20%, mas foram realizadas principalmente com europeus, na sua maioria franceses e ingleses. Para estas duas empresas - e também para a Remax - "o segmento dos vistos gold é residual, embora importante".

Bancos estão a dar mais crédito

Os estrangeiros não foram a única ou sequer a principal razão para este crescimento das operações de venda e do valor das casas mediadas. "Também o mercado nacional contribuiu para este aumento. Muitas das famílias que adiaram, durante os últimos anos, a decisão de comprar ou vender os seus imóveis começaram a regressar ao mercado", disse ao Dinheiro Vivo o administrador da Century 21 em Portugal, Ricardo Sousa.

É por isso que, para qualquer uma destas três empresas a recuperação do mercado que se sentiu em 2014 não se deve apenas aos estrangeiros, mas principalmente aos portugueses. "A maioria das transações efectuadas pela Remax são com o mercado nacional", adiantou ao Dinheiro Vivo, a CEO, Beatriz Rubio.

Em causa está uma maior abertura da banca em conceder crédito à habitação. "As restrições nos financiamentos bancários que marcaram os anos de crise entre 2008 e 2013 começam, gradualmente, a desaprecer. Neste momento os bancos estão com uma política de retoma de concessão de crédito à habitação", comentou a mesma responsável.

Segundo dados da Era o crédito à habitação aumentou 15% em 2014 e "para 2015 não me surpreende que se chegue aos 30%", reparou ao Dinheiro Vivo o diretor-geral, Miguel Poisson.

Não é por isso de estranhar que haja novamente mais vendas que arrendamentos. "Culturalmente, os portugueses preferem investir numa casa em vez de arrendar. Este facto aliado à retoma do crédito fez com que os portugueses voltassem a comprar em vez de arrendar", comentou Beatriz Rubio.

Comissões aumentam

Se o valor das casas medidas em 2014 foi um recorde para estas principais empresas a operar em Portugal, também o valor das comissões foi o maior de sempre. Porque as comissões das vendas são maiores que as dos arrendamentos e porque quanto mais cara for a casa que medeiam maior é o que recebem de comissão.

Na Century 21 - que divulga hoje as contas de 2014 e é a única arevelar estes dados - as comissões conseguidas ascenderam a 14,5 milhões de euros, mais 26% que no ano anterior. Já na Remax, "registou um aumento significativo de 32,20%", adiantou Beatriz Rubio, e na Era cresceu 29%. "Foi o melhor ano de sempre na rede Era em faturação média por loja, tendo superado 2010 que tinha sido o ano recorde", disse Miguel Poisson.

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