Quando o formato tablet parecia estar em declínio incontornável, o novo enquadramento social forçado pela pandemia de covid-19 veio mudar tudo. As vendas de tablets dispararam 19,5% no no último trimestre de 2020, totalizando 52,2 milhões de unidades, num regresso surpreendente ao crescimento.
De acordo com a consultora IDC, desde 2017 que não se via um volume tão expressivo de remessas, o que inverteu a tendência que já era considerada crónica.
"Uma procura sem precedentes nos segmentos do consumo e educação, devido ao trabalho remoto e aprendizagem online, levou indubitavelmente ao ressurgimento do tablet", indicou a analista Anuroopa Nataraj. A ênfase na produtividade e flexibilidade durante a pandemia originou particular interesse pelos tablets "destacáveis", isto é, que podem ser acoplados a um teclado e emular a experiência de utilização de um portátil.
A IDC notou mesmo que as vendas nesta categoria de tablets, que cresceram 27,9%, estiveram em competição direta com as de portáteis no trimestre em análise. Em comparação, os tablets "slate" cresceram 13,7%.
A Apple mantém o domínio deste mercado, que criou em 2010 com o lançamento do iPad original. No último trimestre de 2020, a marca vendeu 19 milhões de tablets e captou 36,5% do mercado mundial, registando um crescimento das vendas de 19,5% em comparação com o ano anterior.
Segundo a IDC, o lançamento do novo iPad de 10,2 polegadas e do iPad Air de 10,9 polegadas empurraram a marca para cima. "Com as restrições da pandemia ainda em efeito e as aulas à distância sendo o modo primário de ensino, houve várias grandes implementações de iPads no segmento da educação", notou a consultora.
A segunda maior fabricante foi a Samsung, que obteve uma subida ainda mais expressiva neste período. A marca sul-coreana recrudesceu 44,9% e obteve 19,4% de quota, com 10,1 milhões de tablets vendidos. Galaxy Tab A e Galaxy Tab S6 Lite tiveram especial sucesso neste período.
A fechar o pódio encontra-se a Lenovo, que foi a marca que mais beneficiou do aumento da procura. As vendas da fabricante chinesa dispararam 120,6% para 5,6 milhões de tablets, o que representa 10,7% de quota no mercado global. Na quarta posição encontra-se a Amazon, que cresceu 7,6% para 3,6 milhões de unidades.
A única fabricante do top 5 que esteve em contraciclo foi, sem surpresa, a Huawei. A marca chinesa continua a sofrer com as sanções impostas pelos Estados Unidos e recuou 25,7%, tendo vendido apenas 3,3 milhões de tablets. Ainda assim, a IDC sublinhou a boa performance da empresa no seu mercado doméstico.
As posições alteram-se quando se olha para o global de 2020: a Apple continua em 1º e a Samsung em 2º, mas a Huawei ficou em 3º e só depois Lenovo (4º) e Amazon (5º). Notória é a distância entre a Apple e todas as outras. A empresa de Cupertino vendeu 53,2 milhões de iPads no total do ano, seguida da Samsung com 31,3 e da Huawei com 16 milhões. Onze anos depois do início, o iPad continua a ser o standard do mercado.
Mesmo com as vacinas contra a covid-19, a data de regresso à normalidade continua a ser uma incógnita, pelo que as tendências que dominaram os últimos trimestres se vão manter. O que não deverá continuar é esta procura inflacionada por tablets, uma vez que o super ciclo de renovação já aconteceu. Foi isso mesmo que notou Anuroopa Nataraj. "Não é esperado que a categoria retenha este momento no longo prazo, visto que continua a enfrentar imensa competição dos portáteis e dos smartphones."