As vendas da Ikea em Portugal, no ano fiscal de 2022, atingiram os 552 milhões de euros, tendo subido 19,5% face ao ano anterior (foram mais 90 mil euros do que no ano passado - em que chegou aos 462 milhões de euros). Comparativamente com o ano pré-pandemia, regista-se ainda uma sumida de 15%.
"Apesar das dificuldades acrescidas que a pandemia, a guerra na Ucrânia, e os primeiros sinais de aumento da inflação trouxeram, o ano fiscal de 2022 foi muito positivo", conta ao Dinheiro Vivo o administrador financeiro e vice-presidente executivo (CFO) da Ikea Portugal, Ricardo Pereira.
O responsável explica que "as vendas da Ikea superaram as expectativas e esse sucesso ficou a dever-se [à importância] da casa na vida dos portugueses. O principal objetivo continua a ser garantir que a oferta Ikea continue a ser acessível aos clientes".
Apesar de já não existirem restrições nas lojas físicas e de estas "serem ainda o principal ponto de contacto com o cliente", Ricardo Pereira avança que o share das vendas online se fixou nos 19%, partindo de perto dos 4% no ano fiscal de 2019. "Esta evolução percentual demonstra que os hábitos das compras no online, que ganharam impulso durante a pandemia, se mantiveram após a reabertura do comércio." As encomendas online, segundo o mesmo responsável, podem demorar apenas um dia a chegar a casa.
Os bons resultados não se sentem só no País e vão além-fronteiras. "As vendas da empresa em Portugal cresceram acima do grupo Ingka (holding do grupo Ikea) a nível internacional (mais 5,6% para 39,5 mil milhões de euros)", tendo aberto portas à possibilidade de maiores investimentos no desenvolvimento do negócio e da aposta nas pessoas.
O investimento dentro das áreas de transformação do negócio e nos trabalhadores deverão atingir mais de 65 milhões de euros entre 2022 e 2023. A transformação logística da multinacional sueca passa por renovações e ampliações nos edifícios de Alfragide e de Loures, com a criação e melhoria de áreas de apoio de processos logísticos e ao e-commerce.
Ricardo Pereira explica que a Ikea Portugal está a melhorar as instalações no espaço de Loures. "Quando a obra estiver terminada - prevemos que isso aconteça até final do próximo ano - teremos uma capacidade logística reforçada, e os produtos, em vez de serem despachados do centro de logística em Espanha, passam a seguir de Loures."
Existem ainda os estúdios de planificação. São seis os novos espaços localizados em Sintra, Cascais, Seixal, Leiria, Coimbra e Setúbal. A empresa tem como objetivo que os estúdios cheguem a outras zonas do País, tendo já anunciado a abertura, no verão de 2023, na Avenida da República, em Lisboa e em Lagos, em novembro deste ano. "O investimento previsto para estes novos formatos está englobado num total anual de aproximadamente 1,5 milhões de euros", afirma o CFO.
O responsável acrescenta ainda que pretendem "continuar a trabalhar para chegar à maioria das pessoas, e é neste sentido que vai o investimento, nomeadamente, na transformação logística do negócio e na abertura de novos pontos de contacto".
Com sede nos Países Baixos, a empresa pretende continuar a recrutar e a criar melhores condições de trabalho, nomeadamente com aumentos salariais, aumento de horas contratadas, bónus e prémios.
"Nos últimos anos tivemos um aumento do número de trabalhadores, em que passamos de 48% de contratos full-time [tempo inteiro, tradução do inglês] em FY20 [financial year] para 54% em FY22. Tivemos também um aumento de 5% de novos profissionais em FY22, de 2692 para 2833 colaboradores", sendo que a empresa contratou 141 trabalhadores.
Relativamente a incentivos oferecidos aos trabalhadores, a empresa "para além das remunerações regulares, durante o ano tivemos vários momentos de compensação e agradecimento às pessoas que constroem estes resultados, nomeadamente em aumentos de salários regulares, com especial foco nos salários de entrada que mantemos acima do salário mínimo nacional e prémios distribuídos por todos os colaboradores", chegando quase aos oito milhões adicionais ao valor dos salários.