Há oito trimestres consecutivos que as vendas mundiais de smartphones caem, e o período entre março e junho de 2023 não foi exceção. No entanto, algo mudou: o mercado já antecipa uma reviravolta para o final do ano e as fabricantes começam a ficar mais otimistas. Mais: o segmento dos dobráveis deverá crescer de forma significativa, contrariando a tendência geral.
Isto apesar de o segundo trimestre ter sido realmente mau. As vendas caíram 7,8% para 265,3 milhões de unidades e todas as grandes fabricantes sofreram, com destaque para a líder Samsung e a vice-líder Apple. Os baixos volumes refletiram novamente a fraqueza da procura, o impacto da inflação elevada, as incertezas macroeconómicas e o inventário em excesso, disse a consultora IDC.
Só a Samsung teve um rombo de 15,2% nas vendas, que caíram para apenas 53,5 milhões de smartphones. A Apple também vendeu menos iPhones, com uma quebra de 6,3%, e a Xiaomi foi a que mais perdeu, derrapando 16%. O top cinco registou um empate técnico entre a Oppo e a Transsion, esta última uma entrada nova na tabela com um crescimento de 34,1%.
Mas as más notícias podem estar perto do fim. Segundo a analista Nabila Popal, os níveis de inventário estão a melhorar e nos corredores da indústria já se fala de otimismo, com expectativa de um regresso ao crescimento já no final de 2024.
Em termos regionais, de notar que a EMEA foi a região com menor quebra (-3,1%), comparando favoravelmente com a Ásia-Pacífico e Estados Unidos.
Por outro lado, um dos aspetos positivos de um mercado que tem enfrentado imensos problemas é a continuação do entusiasmo no segmento dos dobráveis. O analista Anthony Scarsella sublinhou que os consumidores continuam a demonstrar entusiasmo por este formato, cujo preço é mais elevado que o de smartphones tradicionais, e que se espera a entrada de mais players e um maior nível de adesão. "Esperamos que o mercado de dobráveis cresça quase 50% em 2023 enquanto o resto do mercado permanece em quebra", indicou.