Ventos de mudança no mercado dos Seguros

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Há décadas que a tecnologia faz parte do dia-a-dia do setor segurador, mas nunca pareceu tão diferenciador e determinante como hoje. A digitalização de serviços permitiu uma maior eficiência e um conhecimento mais profundo quer dos clientes, quer do mercado. As insurtech vieram para ficar e a inteligência artificial é vista como a next big thing também no setor segurador.

Apesar de já ser usada para melhorar os serviços ao consumidor, aumentar a eficiência e combater a fraude de uma forma mais efetiva, a inteligência artificial (IA) tem um grande potencial para transformar significativamente o setor segurador. Uma seguradora japonesa que faz soluções à medida na área dos seguros de saúde recorrendo à IA e a análise de "big data" afirma mesmo que a IA "está a dar às seguradoras poderes divinos".

Já em 2021, um relatório da McKinsey identificava quatro tendências relacionadas com a forma como as tecnologias baseadas em IA terão influência no setor dos seguros até 2030: acesso a dados a partir de dispositivos - estima-se que em 2025 existirão mais de três biliões de dispositivos, que vão desde telemóveis a relógios inteligentes - aumento da prevalência da robótica, ecossistemas de fontes abertas e dados e avanços nas tecnologias cognitivas.

"A IA e as tecnologias associadas terão um impacto relevante em todos os aspetos da indústria seguradora, desde a distribuição à subscrição e formação de preços passando até pelas reclamações. Tecnologias e dados avançados já estão a afetar a distribuição e a subscrição, com apólices a serem cotadas, compradas e vinculadas em tempo quase real", refere o relatório da McKinsey.

À inteligência artificial juntam-se outras tendências que irão marcar o setor segurador até 2030. O inovador mercado de seguros para animais de estimação (pets), por exemplo, que teve um valor de 9,3 mil milhões de dólares em 2022, deverá crescer para 31,13 mil milhões em 2030. Já as insurtech, cujo mercado valia 5,45 mil milhões de dólares em 2022, deverá expandir-se a uma taxa de crescimento anual de 52,7% entre 2023 e 2030.

Estas tendências mostram que os ventos de mudança continuarão a soprar no mercado dos seguros, onde consumidores mais exigentes e informados serão um constante desafio para todos os setores de atividade. À tecnologia teremos que juntar as tensões geopolíticas que se fazem sentir principalmente na Europa, mas com consequências globais.

É nestes tempos de incerteza que devem ser destacados valores que só as instituições sólidas e experientes podem proporcionar: confiança e compromisso. Em Portugal, existem companhias de seguros que se sustentam na confiança com os seus clientes, adaptando as suas ofertas aos novos tempos das famílias, da transição energética e da economia circular, sem perder de vista as necessidades dos seus clientes e as parcerias de longa data.

De acordo com o Boletim Económico do Banco de Portugal de dezembro passado a atividade económica registou, a partir do segundo trimestre de 2022, uma forte desaceleração e já após o período de recuperação da crise pandémica. A economia portuguesa deverá crescer 1,5% em 2023, após 6,8% em 2022, expandindo-se a um ritmo próximo de 2% em 2024 e 2025.

Perante estas oscilações - decorrentes da turbulência geopolítica já referida - e com desafios relevantes pela frente, desde a IA às insurtech, passando por questões como a demografia, onde o envelhecimento da população ocupa uma posição de destaque em Portugal, há que contar com instituições que tenham equipas com capacidade de inovação e de adaptação à mudança.

Paula Casa Nova, CEO da Europ Assistance Portugal

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