Verde, moderno e com net: assim será a mobilidade em Viseu Dão Lafões

Comunidade Intermunicipal da região lança concurso de 50 milhões para transformar os transportes para o futuro. Fernando Ruas explica o que vai trazer aos moradores.
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Uma frota mais jovem, mais preparada e a garantir uma oferta de transporte público que verdadeiramente possa servir a região, respondendo com eficiência aos desafios da nova mobilidade e usando a digitalização para ser mais sustentável. O repto não é coisa pouca, mas é o objetivo de Fernando Ruas para trazer à região Viseu Dão Lafões uma rede de transportes preparada para o futuro.

São as razões que o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões invoca, ao DN/Dinheiro Vivo, para o concurso internacional lançado para transporte de passageiros na região. Com um valor aproximado de 50 milhões de euros e cinco anos de cobertura - condições mais atrativas do que as do último concurso, em 2019, que não conquistou concorrentes -, de acordo com o também presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, o objetivo é garantir o fornecimento de 139 autocarros "que irão servir todas as localidades com mais de 40 habitantes na região".

A meta é conseguir uma oferta cuja idade seja inferior a 16 anos na rede geral (137 veículos) e a oito na rede urbana (2 veículos), garantindo-se assim que os novos veículos apresentem "uma classe de emissões igual ou superior àquela dos substituídos ou, em caso de veículos suplementares, serem do tipo EURO VI, ou veículos limpos". Ruas especifica ainda que toda a frota irá ser equipada com ar condicionado/aquecimento e wi-fi gratuito, destacando a "obrigatoriedade de cada sede de concelho estar ligada às restantes e de todas as localidades com mais de 40 habitantes terem ligação à respetiva sede de concelho três vezes por semana".

Nos perímetros urbanos com mais de 50 mil pessoas, servirão dois autocarros a circular por hora nas horas de maior trânsito e um nos restantes períodos do dia.
"Neste concurso já estamos a ter em consideração a otimização entretanto realizada, enquanto procuramos valorizar as propostas que apresentem melhor qualidade da frota e assegurem a transição energética para veículos mais amigos do ambiente, sendo que continuamos a estimular o público a utilizar os serviços públicos de transporte de passageiros, articulando esta oferta com aquela que existe ao nível do serviço de transporte flexível, o que permitirá melhor mobilidade às populações", acredita o autarca e presidente da CIM Viseu Dão Lafões.

E para quando se prevê haver resultados do concurso? "Se tudo correr dentro da normalidade, poderemos ter resultados durante o mês de setembro", afirma Fernando Ruas, antecipando a vontade de assegurar os novos transportes operacionais e em funcionamento "até ao final do ano".

Com o concurso agora lançado, a CIM Viseu Dão Lafões propõe outras notas de transformação rumo aos desafios atuais, incluindo os da sustentabilidade e da digitalização. A nova rede pública poderá, por exemplo, ser gerida na totalidade do "serviço público de transporte de passageiros no território através de um só operador, em todas as linhas municipais (excluindo a rede e serviços concessionados pelo município de Viseu), intermunicipais e inter-regionais". Prevê-se ainda a criação de dois novos circuitos urbanos nas cidades de Mangualde e Tondela.

A revolução em curso estende-se também aos utilizadores, que poderão passar a beneficiar de um sistema de bilhética contactless, e acesso garantido a todos os autocarros ao longo do percurso para o qual tenham adquirido passe ou bilhete, uma vez que a região contará com tarifários únicos e integrados para toda a CIM Viseu Dão Lafões. E prevendo-se ainda a criação de pontos de contacto com os sistemas vizinhos, de forma a facilitar a utilização por parte de passageiros que tenham necessidades alargadas a regiões e operadores adjacentes, através de títulos intermodais. Esta mecânica, acredita Fernando Ruas, permitirá potenciar economias de escala e de rede.

A ambição para a nova mobilidade integra-se num esforço de otimização que a Comunidade Intermunicipal tem vindo a prosseguir. "A CIM Viseu Dão Lafões, enquanto autoridade de transportes, realiza o planeamento, a definição e a atualização da rede, da oferta e dos tarifários e a sua integração com outros operadores, o que lhe oferece maior flexibilidade para ajustamento à rede. A retribuição do operador será baseada (principalmente) no nível de produção realizada, designadamente o número de veículos, quilómetros anuais, na qualidade do serviço prestado e no número de passageiros transportados", esclarece ainda Fernando Ruas, ao DN/Dinheiro Vivo.

Os tarifários a aplicar terão "cobertura anual", exceto títulos escolares (limitados ao período letivo), não estando previstos aumentos nos preços atuais.

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