Em 1991, o primeiro identificador da Via Verde para pagar as portagens nas autoestradas foi uma pedrada no charco no mundo da mobilidade. Só que a empresa recusa-se a viver à sombra desta inovação e está a apostar cada vez mais no telemóvel e nos serviços para as cidades.
Há soluções para pagar o estacionamento, andar nos transportes públicos, utilizar um veículo partilhado, arranjar uma boleia, planificar a viagem e até já é possível comprar um carro.
“Há quatro milhões de veículos com identificador da Via Verde em Portugal. Apesar de ser um número ímpar, temos consciência de que esta tecnologia terá um fim. Temos de ser nós a substituí-la e não a tecnologia a substituir-nos”, destaca Pedro Mourisca, presidente executivo da Via Verde Portugal.
Com o ‘clássico’ identificador, a Via Verde já cobre mais de 82% de todo o parque automóvel nacional, com um crescimento “cada vez maior, sobretudo nos últimos cinco anos”, graças à aposta nas adesões online - que já representam metade dos novos clientes - e nos utilizadores ocasionais.
Além da portagem, há vários anos que este dispositivo também serve para pagar o combustível, o estacionamento em parques cobertos, a conta do McDrive da McDonald’s e as viagens nos ferries entre Setúbal e Troia.
Só que a Via Verde também está a ter outro tipo de clientes. “Os smartphones estão para as pessoas como os identificadores para os carros. Nas cidades, a mobilidade será muito mais multimodal.”
Cada um destes serviços recorre a uma aplicação própria para o telemóvel e a parcerias com empresas ou com municípios. Em conjunto, já acumulam “mais de dois milhões de downloads”.
O pagamento do estacionamento de superfície é a solução mais popular. O Via Verde Estacionar já está presente em 22 municípios, incluindo cidades como Lisboa, Porto, Braga, Almada, Amadora e Cascais cobrindo perto de 124 mil lugares de estacionamento.
A aplicação serve como um serviço de pagamento do estacionamento de rua e dispensa moedas ou talões. O utilizador só paga pelo tempo em que o carro está parado.
Quem tem um automóvel também pode aderir à solução de boleias, gratuita, que serve sobretudo para as viagens de curta distância, entre casa e o trabalho. “Servimos para grupos de pessoas que não sejam suficientemente pequenos para se organizarem pelo Facebook”.
A Via Verde também ajudou a trazer o serviço de partilha de carros DriveNow para o mercado português. Há mais de 200 veículos da BMW e da Mini que podem ser partilhados na zona de Lisboa graças a esta parceria.
Os transportes públicos também estão na mira da empresa para “facilitar o acesso e trazer a comodidade, conveniência e simplicidade de acesso equivalente à que demos aos automobilistas há muitos anos.”
Com a Via Verde Transportes, para viajantes ocasionais, é possível usar os barcos da Transtejo, os comboios da Fertagus e os autocarros da SulFertagus. Daqui a um ou dois anos, será possível utilizar pagar todos os transportes públicos na Grande Lisboa através desta aplicação. O planeamento das viagens é possível através da aplicação Via Verde Planner.
Em fase piloto está a parceria com a Leaseplan, que permite a compra de carros usados ou o aluguer de longa duração (renting) de carros novos e usados. A Via Verde ganha à comissão.