Depois de três anos de renovação total para sair da sombra da Ford - onde viveu uma década, até ser comprada por 1,13 mil milhões de euros pela construtora chinesa -, a Volvo volta a ser independente. "É uma organização totalmente separada." O único laço visível é a porta aberta para um mercado muito atraente - até 2020, o objetivo é vender 200 mil carros/ano na China. De resto, "as fábricas são 100% Volvo, os comerciantes também", frisou Hâkan Samuelsson, presidente e CEO da Volvo, em entrevista ao International Business Times. E a melhor forma de o mostrar foi pôr um novo modelo no mercado. "Não estamos só a lançar um carro mas a relançar a marca", disse Samuelsson, na apresentação do modelo, terça-feira, na Suécia.
O novo modelo exigiu um investimento de 8,3 mil milhões de euros, mas o resultado, diz a marca, compensa: é um carro de topo, mais seguro, de alta tecnologia e com o melhor interior Volvo de sempre. E é totalmente produzido na Suécia - já não conta com componentes Ford, como até aqui.
Mais crescimento
Com a Europa a emergir da crise, em 2013, as receitas da marca atingiram 13,5 milhões de euros, com o lucro operacional a subir 2928%, de sete para 212 milhões de euros.
Este ano, com a economia mais forte, todo o sector ganhou novo fôlego - o registo de novos automóveis subiu em junho, pelo décimo mês consecutivo, para um total de 1,23 milhões de veículos matriculados, diz a Associação Europeia de produtores de carros. Nesse mês, as vendas de novos carros na Europa cresceram 4,3%, com os países do sul a darem uma forte ajuda.
O contributo de Portugal é elevado. Pelos dados da Associação Automóvel de Portugal, foram vendidos 89 949 carros nos primeiros sete meses, mais 31% do que até julho do ano passado. A Volvo já vendeu 1499, o que representa um aumento de 29,8% face ao período homólogo, mas as marcas mais vendidas por cá ainda são BMW, Mercedes e Audi, líderes do segmento premium e, a partir de agora, principais adversárias da Volvo.
"O XC90 abre caminho a uma carteira de novos e empolgantes automóveis que se seguirão nos próximos anos", garante Hâkan Samuelsson. Como será o futuro? Repleto de luxuosos pormenores: no XC90, o painel de velocidades é composto por um tablet que agrega todas as componentes; os interiores são em couro e madeira, com pormenores artesanais. A caixa de velocidades tem uma alavanca em cristal Orrefors e o botão start/stop é composto por diamantes lapidados. "Um toque de irreverência exclusiva em vez de mera funcionalidade", como refere Robin Page, diretor de Design Interior da marca.
As vendas da first edition arrancam a 3 de setembro, com os primeiros 1927 Volvo XC90 - o número de unidades remete para o ano de fundação da empresa - disponíveis na internet, por 50 mil euros.