Quando o primeiro "trailer" da nova série "Willow" foi mostrado na D23, uma conferência bianual para fãs da Disney que decorreu em setembro, o entusiasmo ruidoso da audiência foi auspicioso. Há muitos anos que os fãs da Lucasfilm pediam uma sequela do filme com o mesmo nome, realizado por Ron Howard e produzido por George Lucas em 1988. Essa sequela estreia hoje no Disney+, sob o formato de uma série de oito episódios que volta a ter o ator Warwick Davis no papel principal, o feiticeiro Willow Ufgood.
"Para mim é uma espécie de coisa milagrosa que isto não tenha sido mais desenvolvido, e que permaneça como um artefacto de um certo período da minha vida, com todo o potencial para mais histórias e aventuras", disse o showrunner Jon Kasdan, que tinha apenas oito anos quando o filme estreou, numa conferência de imprensa sobre a estreia.
É que "Willow", apesar de se ter tornado um filme de culto ao longo dos anos, não foi o sucesso de bilheteira que se antecipava para um novo franchise de George Lucas, no rescaldo dos blockbusters "Star Wars." Somou cerca de 138 milhões de dólares contra um orçamento de 35 milhões, o que - apesar de lucrativo - não foi estrondoso.
Warwick Davis, que tinha apenas 17 anos quando fez o filme, viria a ter uma carreira bem-sucedida e aceitou regressar a um dos papéis que o definiu. "Uma das coisas mais agradáveis da série é a ligação a eventos que aconteceram no filme", disse o ator na mesma conferência. "Penso que os fãs vão gostar imenso."
É nisso que o Disney+ está a apostar, com a estreia dos dois primeiros episódios esta quarta-feira e o lançamento semanal ao longo do próximo mês e meio. A sequela episódica chega numa altura em que o "streaming" capta cada vez mais a atenção dos consumidores e o investimento dos estúdios, possibilitando projetos que há apenas alguns anos não teriam luz verde. Apesar dos solavancos da indústria, que está a sofrer uma correção depois do pico da pandemia de covid-19 e do entretenimento em casa, os números são demonstrativos da sua força: o Disney+ atingiu 164,2 milhões de assinantes em outubro de 2022, uma subida de 12 milhões em relação ao trimestre anterior.
O serviço de streaming tem testado com sucesso sequelas, prequelas e spin-offs de alguns dos franchises mais valiosos detidos pela Disney, com destaque para as séries ligadas ao universo Star Wars (começando com "O Mandaloriano" até à mais recente "Andor").
A exploração do universo criado também por George Lucas em "Willow", disse Jon Kasdan, desafiou os autores a encontrarem um equilíbrio entre o material original e as histórias novas que queriam contar. "Em cada episódio traçámos a linha entre tornar isto familiar e satisfazer o que os fãs esperam de "Willow" e tentar avançar e contar uma história que é surpreendente e inesperada", afirmou. "A grande arma que tivemos connosco foi o Warwick, que deu credibilidade a todo o universo de "Willow"."
Agora com 52 anos, Warwick Davis salientou o desafio adicional das exigências físicas do papel e a vontade de fazer justiça ao original. "Ter o peso dos fãs comigo, tentar fazer o melhor trabalho possível, e entregar uma série que toda a gente possa apreciar, tanto fãs do original como a nova audiência que esperamos trazer para esta série."
Numa altura em que Bob Iger voltou ao cargo de CEO da Disney para uma saída inesperada de Bob Chapek, depois de apenas dois anos, a expectativa é que a sequela, tantas vezes pedida pelos fãs, seja um ponto positivo para fechar o ano.