Wink. O negócio que criou um mercado com fios de algodão

Quando Filipa Muñoz de Oliveira voltou a Portugal - depois de dois anos em Nova Iorque e cinco em Londres - com planos para abrir quiosques de tratamentos cosméticos em áreas estratégicas de centros comerciais, chamaram-lhe louca.
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A gestora, que começara a carreira no grupo Jerónimo Martins e passara pelo apoio de grandes clientes da leiloeira Christie"s e pelo gabinete de marketing do canal de televisão Sky, não conseguia parar de pensar no assunto: era cliente e fã do serviço de threading - uma técnica indiana de depilação de sobrancelhas com fios de algodão - em Londres e, em Portugal, não tinha alternativa idêntica. Face à necessidade, aguçou o engenho.

Ainda a viver em Londres, marcou uma reunião no Centro Comercial Amoreiras e encontrou-se com os responsáveis, todos homens, em dezembro de 2006. Apresentou a ideia e o conceito da Wink, convenceu-os a apostar no negócio - ainda experimental - e deitou mãos à obra. Quatro meses depois, inaugurava o primeiro quiosque da Wink nas Amoreiras com uma estratégia definida: para criar um novo mercado, Filipa decidiu oferecer os serviços durante a primeira semana.

"Pensei: se as pessoas experimentarem vão gostar de certeza, por isso só tenho de as convencer a experimentar. Ao fim de uma semana, o nosso quiosque estava cheio. Muito calmamente começámos a ganhar clientes. Temos clientes que se mantêm desde o primeiro dia", conta Filipa ao Dinheiro Vivo.

Desde esse dia de abril de 2007 ao de hoje passaram mais de sete anos e muitas inaugurações: 17 lojas próprias, 13 franchisadas e outras duas no primeiro mercado internacional: Brasil. Mas os planos não acabam por aqui: nos próximos dois anos, a Wink quer inaugurar 150 lojas franchisadas no Brasil e abrir, já no próximo ano, a primeira loja em Espanha. Os números alterarão decerto os 2 milhões de euros faturados pela empresa em 2014 e irão fazer aumentar o número de empregados: neste momento, juntando lojas próprias e franchisadas, a Wink empresa mais de 160 pessoas.

"A dimensão do nosso país é o que é. Temos um mercado muito concentrado em Lisboa e no Porto e tudo o resto é pequeno", avalia Filipa. Por isso, nos planos da gestora estão novos mercados, sempre mantendo o conceito Wink: primeiro quiosques, para dar a conhecer a técnica. Depois lojas em centros comerciais.

O passo seguinte está prestes a ser testado, perto do centro de Lisboa: a Wink prepara-se para abrir a primeira loja de rua, ainda este ano, em parceria coma L"Óreal, na rua Sampaio Pina. Da lista de serviços vão fazer parte os que celebrizaram a marca, mas serão testados novos conceitos: o espaço, com 220 metros quadrados, vai permitir um acompanhamento mais personalizado a noivas, por exemplo, e servir de espaço de formação.

A casa está quase arrumada: rosa e negro, produtos de marca própria para uso nas lojas e para venda a clientes (95% são mulheres). "Nunca quis que as lojas parecessem um cabeleireiro e sempre fugi às áreas de serviços dos centros comerciais. Somos um serviço, mas somos uma marca: quero que as clientes se sintam confortáveis sem aquele efeito de clínica de estética."

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