"O Estoril não é Alcabideche". A frase é de Gonçalo Roxo, um dos fundadores da Your Property Advisor (YPA), e serve para ilustrar a atividade que esta empresa do setor imobiliário exerce desde dezembro de 2020 no país. Como faz questão de sublinhar, a YPA não é uma agência imobiliária, não tem portefólio de imóveis. É uma consultora focada unicamente no interesse do cliente que pretende comprar uma propriedade premium. O negócio é responder aos desejos do comprador, encontrar a casa na tipologia desejada, na localização idealizada, com as características exigidas pelo investidor. E garantir o melhor preço. Segundo o responsável, a YPA surgiu porque "o comprador está mal acompanhado" em todo o processo de aquisição.
Em pouco mais de dois anos de atividade, a YPA já vendeu 55 casas de luxo, a grande maioria a estrangeiros, garantindo uma poupança total de três milhões de euros no ato da compra. Neste período, a YPA conseguiu "um desconto médio de 12% por negociação", frisa Gonçalo Roxo. Alemães, finlandeses, brasileiros, norte-americanos e sul-africanos foram, até agora, os principais clientes, sendo que, no geral, Lisboa e Cascais foram os destinos eleitos para viver. E, ao contrário do que se possa pensar, só três operações tiveram o motor do visto gold. "Não precisam", sublinha. Como adianta, "os estrangeiros parecem um bicho papão, mas trazem mais-valias. Tivemos um cliente que mudou a empresa para cá, e emprega 300 pessoas. Outro que está a criar uma associação de proteção ambiental na Nazaré. Estão a contribuir para Portugal".
No ano passado, o volume de transações atingiu os 20 milhões de euros. A rede de networking de Gonçalo Roxo, que largou o seu emprego numa agência imobiliária de luxo para criar a YPA, e o passa-palavra entre clientes têm assegurado o crescimento do negócio. De tal forma que 2023 é o exercício da expansão. A YPA acaba de contratar um property adviser para trabalhar a região do Algarve e admite a contração de outros dois no decorrer do ano. "Sempre vimos um enorme potencial no Algarve. É uma região que já era conhecida no exterior muito antes de os estrangeiros descobrirem Lisboa e tem uma comunidade fortíssima de ingleses, suecos..." Acresce que o mercado de luxo no Algarve está a crescer e há muitos promotores interessados em investir. Combinações que fazem Gonçalo Roxo acreditar que a expansão para sul "vai ser um sucesso". O norte também não está esquecido. "O próximo passo será o Porto, ou ainda este ano ou no início do próximo."
A YPA quer também cativar os portugueses. Até ao momento, a consultora só concretizou um negócio com um comprador nacional. No entanto, Gonçalo Roxo vê oportunidades. "A compra de casa é complexa. É preciso conhecer bem as localizações, quais são as zonas de expansão, se existem lacunas legais, porque às vezes as casas não podem ser vendidas. Pode ser uma salada russa", enfatiza. É certo que o serviço da YPA tem um preço, mas "nós não trabalhamos só para milionários, a classe média alta portuguesa pode beneficiar dos nossos serviços", aponta.
O trabalho da YPA é encontrar o melhor imóvel para o cliente. Como explica Gonçalo Roxo, depois de um contacto inicial com o potencial comprador, muitas das vezes por videochamada, para perceber o que procura, a YPA vai para o terreno. Contacta agências, observa o que está à venda e até o que ainda não está publicitado, e partilha com o cliente a seleção efetuada. São feitas visitas presenciais ou online até se chegar à eleição de uma ou duas casas. A YPA vai então negociar a compra.
Entre um negócio e outro, a YPA acabou por entrar em voos mais altos. No ano passado, apoiou a criação de um fundo imobiliário de cinco milhões de euros para investidores nacionais e estrangeiros, tendo mediado a aquisição de apartamentos para arrendamento no concelho de Lisboa. A rentabilidade média deste fundo é de 6,2%, o dobro da média atual do mercado. Segundo Gonçalo Roxo, foi um processo muito trabalhoso: "Analisámos 1400 apartamentos e comprámos 45". Entretanto, a YPA está já a iniciar outros dois. É que este serviço no país está muito centrado na criação de portefólios de grande escala, diz, mas há family offices com capital para alocar em instrumentos de menor dimensão.