Após espinhosas negociações, os ministros das Finanças da Zona
Euro chegaram acordo, em Copenhaga (Dinamarca), quanto ao reforço da
capacidade dos fundos de resgate europeus para 800 mil milhões de
euros, com vista a uma melhor proteção contra eventuais crises
financeiras.
Este valor não vai, no entanto, envolver esforços suplementares
dos Estados, uma vez que aos 500 mil milhões de euros já
anteriormente previstos para o futuro Mecanismo Europeu de
Estabilidade (MEE) se vão juntar 300 mil milhões de euros de
empréstimos já concedidos ou prometidos aos países em maiores
dificuldades - como é o caso da Grécia, Irlanda e Portugal - e
provenientes de diversos envelopes: Fundo Europeu de Estabilização
Financeira (FEEF), empréstimos bilaterais e União Europeia.
Esta foi a solução encontrada para vencer as resistências
contra um aumento da capacidade dos mecanismos de proteção
anticrise que obrigasse a esforços financeiros adicionais dos países
contribuintes. Pois se é certo que em torno da necessidade de se
reforçarem os fundos o consenso era unânime e inevitável,
nomeadamente devido às fortes pressões nesse sentido movidas pelo
FMI e os países do G20, que impunham essa condição prévia para
eles próprios aumentarem o seu apoio à União Europeia, o mesmo não
se pode dizer do valor desse reforço, alvo de todas as divergências.
De um lado, estavam os que defendiam que o reforço devia ser o
mais elevado possível para acalmar definitivamente os mercados e
prevenir mais movimentos especulativos; do outro, os que se opunham a
onerar ainda mais os Estados. "O firewall deve ser relevante,
mas é preciso ter em conta o peso que tal terá para os Estados
membros", advertia à entrada para a reunião o ministro
holandês, Jan Kees de Jager.
A proposta da França e da Comissão Europeia de sobrepor as
verbas dos dois fundos de resgate, que existiriam em paralelo durante
pelo menos um ano, conseguindo-se assim chegar aos 940 mil milhões
de euros - 500 mil milhões do MEE e 440 mil milhões ainda
disponíveis no FEEF -, acabaria por ser vencida pela Alemanha e
Finlândia, justamente por considerarem essa opção muito custosa.
Já na quinta-feira à noite, véspera da reunião, o ministro
alemão Wolfgang Schäuble tinha rejeitado veementemente a
possibilidade de um reforço dos fundos para um bilião de euros,
como preconizado pela França, deixando claro que deveria ficar nos
800 mil milhões, como viria a confirmar-se ontem.
A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, congratulou-se com a
decisão da Zona Euro de reforçar os seus mecanismos de proteção,
tal como a instituição que dirige defendia. "A combinação do
Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e do Fundo Europeu de
Estabilização Financeira (FEEF), em paralelo com outros esforços
recentes, reforçarão a proteção da Europa e apoiarão os esforços
do FMI de aumentar os seus recursos disponíveis em benefício de
todos os seus membros", afirmou Lagarde.
A decisão surge, aliás, numa altura em que aumentam as
preocupações com Espanha, que está numa situação económica
"muito difícil", como reconheceu também ontem o
comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn.