

Dois projetos portugueses foram selecionados pela Comissão Europeia na segunda convocatória da vertente digital do Mecanismo Interligar Europa (CEF Digital). Bruxelas tem 252 milhões de euros para apoios à criação de infraestruturas 5G nos 27 Estados-membros, tendo selecionado no último mês 37 projetos para cofinanciar, dos quais dez foram revelados.
O 5G Healthcare, coordenado pela NOS, e o 5G Rural, coordenado pela DSTelecom, são os projetos em causa, estando previsto o arranque de ambos ainda em 2024 nas regiões do Norte e do Alentejo.
O 5G Healhcare “pretende utilizar o 5G para promover casos de uso avançados que melhorem a experiência da comunidade da região Norte, sobretudo no distrito do Porto, que necessita de serviços hospitalares”, segundo a descritivo do projeto.
O objetivo é “validar e implementar” casos de uso em diferentes ambientes dos serviços hospitalares no Norte do país, incluindo a “conetividade 5G em veículos de emergência (ambulâncias e helicópteros), formação médica recorrendo a transmissão de vídeo em direto suportada em 5G, a partir de um sistema robótico da Vince, apoio remoto ao diagnóstico e monitorização via 5G/IoT e realidade virtual/aumentada na recuperação dos doentes”.
Além da NOS, o projeto inclui o Centro Hospitalar de São João, no Porto, e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Os três organismos acreditam que o 5G Healthcare “terá um enorme impacto social e económico, uma vez que irá melhorar a qualidade, sustentabilidade e eficiência dos serviços numa área tão crítica como a dos cuidados de saúde, sendo inteiramente possível escalá-lo e implementá-lo noutras áreas do território nacional ou noutras geografias da comunidade europeia”.
O CEF Digital vai cofinanciar este projeto em quase 2,5 milhões de euros.
O 5G Rural, por sua vez, pretende criar no Alentejo “a primeira infraestrutura neutra 5G”, ou seja antenas e pontos de acesso à nova rede móvel disponíveis às redes dos diferentes operadores de telecomunicações, a fim de contribuir para “a estratégia europeia global de expansão da conectividade rural de banda larga”.
“O projeto é sustentado por receitas provenientes de serviços economicamente sólidos prestados em todos os segmentos das comunidades inteligentes” e visa a implementação de “vários serviços comunitários inteligentes, incluindo cuidados de saúde, educação ou agricultura, como casos-piloto de utilização em municípios”, considerando a falta de infraestruturas e serviços digitais nas regiões rurais, sobretudo em aldeias.
“O principal impacto e benefício do projeto é a abordagem do modelo de negócio para o investimento na conetividade rural, proporcionando aos cidadãos acesso digital e serviços inteligentes, através da realização de um projeto-piloto de inovação para as zonas rurais”, indica a ficha descritva do 5G Rural.
Liderado pela DSTelecom, este projeto inclui a IrRADIARE - Investigação e desenvolvimento em Engenharia e Ambiente, a NOS e a Innovation Point - um “titular de uma licença 5G, um promotor de serviços inteligentes, um gestor de infraestruturas multi-operador e um gestor de inovação”, que cooperam com o consórcio H2020-Auroral e a plataforma de investimento SmarTomorrow.
O CEF Digital vai cofinanciar o 5G Rural em mais de 3,3 milhões de euros.
Dos 37 projetos 5G selecionados pela Comissão Europeia na segunda convocatória do CEF Digital só dez foram revelados. E Bruxelas tem a decorrer a terceira convocatória para a candidatura de mais projetos até ao dia 20 de fevereiro.