5 livros para o verão por... Domingos Amaral

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Começou como jornalista n"O Independente e foi diretor das revistas masculinas Maxmen e GQ.

Partilha "muitas histórias e opiniões sobre tudo e sobre nada" no blogue O Diário de Domingos Amaral. Publicou em 1998 o seu romance estreia "Amor à Primeira Vista". Seguiram-se outras cinco obras de ficção: "O Fanático do Sushi" (2000), "Os Cavaleiros de São João Baptista" (2004), "Enquanto Salazar Dormia" (2006), "Já Ninguém Morre de Amor" (2008), "Quando Lisboa Tremeu (2010). "O Retrato da Mãe de Hitler" é o seu novo romance.

Ficam as suas sugestões de leituras para o verão.

"Waiting for Sunrise, William Boyd


Uma história passada na época da primeira guerra mundial

entre Viena, a Suíça, as trincheiras da guerra e Londres. O protagonista é um

jovem actor de teatro que vai a Viena tratar-se de um problema sexual, a um

psiquiatra que é amigo de Freud, na altura ainda vivo e a exercer na capital do

império Austro-Húngaro. Apesar de estar noivo de uma inglesa, o protagonista

envolve-se com uma jovem casada, o que dá origem a um pequeno escândalo sexual,

e o obriga a fugir, com a ajuda dos serviços secretos ingleses. Excelentes

descrições, bons personagens, boa intriga, um óptimo thriller romântico, bem ao

estilo do autor.



Satantango, Laszlo Krasznahorkai

Finalmente publicado em inglês, é uma obra prima do escritor

ucraniano, muito mal conhecido ainda no mundo ocidental. É a história de um

homem que chega a uma vila, onde a vida ainda se rege pelas regras do

colectivismo comunista, mas os valores entraram em decadência, os edifícios

estão todos a cair ou em ruínas, e os habitantes são uma espécie de inadequados

meio-doidos. Há um médico alcoólico, uma rapariga que se vende por pouco, uma

menina que tenta matar o seu gato, e um homem que tanto pode ser um profeta

como o próprio Diabo. Alucinante e genial, e muitíssimo bem escrito.

Odds Against Tomorrow, Nathaniel Rich

Uma visão apocalíptica de uma Nova Iorque submersa pelas

águas, escrita bem antes do furacão Sandy ter tornado essa possibilidade bem

real. Mitchell Zukor, o jovem protagonista, faz paddle numa canoa, passando por

uma Grand Central Station inundada, e tenta sair da cidade. Ele era um analista

de preocupações, e estimava as possibilidades de grandes tragédias virem a

acontecer, como consultor de uma grande empresa financeira, com escritórios no

Empire State Building, que ele descreve como o edifício mais dado a acidentes

da América, todos os anos evacuado pelo menos uma vez. E, de repente, todos os

riscos que ele teme tornam-se realidade, e a cidade muda para sempre, e ele

também. Prosa magistral, história original.

Desta Vez é Diferente, Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff

Um excelente livro que analisa 700 anos de história e

centenas de crises financeiras, bancárias, cambiais ou inflacionistas. Célebres

por más razões (foram eles os autores do famoso erro do Excel, que deu origem a

muitas das políticas austeritárias praticadas sobretudo na Europa), os

economistas americanos mostram neste livro que muito do que se disse deles é

errado. Na verdade, Reinhart e Rogoff provam que só muito raramente as

políticas "austeritárias" funcionaram, e que quando as economias são

apanhadas na armadilha da dívida e da recessão o mais inteligente é a

reestruturação da dívida, pois nem o corte abrupto das despesas do Estado nem a

aposta nas exportações conseguiram resolver o problema da dívida.

Euro Forte, Euro Fraco, Vítor Bento

Uma excelente análise sobre a divisão da Europa em dois

grandes grupos económicos, o primeiro, que gravita à volta da Alemanha,

habituado a uma cultura de moeda forte, sem inflação e com despesa do Estado

controlada; e um segundo, formado pelos países do Sul e pela Irlanda,

habituados a 50 anos de desvalorizações das suas moedas, com inflação mais alta

e mais gastos do Estado. Será a convivência entre estes dois grupos de países

possível, ou desejável? Será que a diferença cultural tão profunda permite uma

união monetária que funcione bem? Uma boa análise, embora por vezes as soluções

propostas não sejam muito ousadas.

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