PCP reconhece resultado difícil mas destaca “resistência” aos prognósticos antecipados

Na contagem dos resultados, que ainda decorre, a CDU, coligação de PCP e 'Os Verdes', já sabe que perdeu o deputado que elegeu em 2022 por Beja. Projeções admitem que CDU consiga eleger entre um a cinco deputados.
PCP reconhece resultado difícil mas destaca “resistência” aos prognósticos antecipados
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A Coligação Democrática Unitária (CDU, que junta PCP e PEV) frisou hoje a importância do resultado final para “enfrentar a direita”, destacando a “resistência” aos prognósticos antecipados que chegaram a apontar para um desaparecimento do parlamento.

“Vai também ser um resultado muito importante para enfrentar a direita, as forças reacionárias, que, no enquadramento que se está a desenhar, bem o povo português vai precisar de uma CDU forte, interventiva e combativa para enfrentar essa mesma situação”, afirmou Vasco Cardoso, membro da comissão política do Comité Central do PCP.

Numa mensagem que foi dirigida mais para os apoiantes sentados na sala do que para a comunicação social, ao não ser realizada no púlpito reservado para as declarações, Vasco Cardoso salientou que o resultado que se prevê para a CDU vence “prognósticos antecipados que procuraram fazer”.

“O resultado que vamos obter nestas eleições será determinante para podermos continuar a intervir para fazer aquilo que fizemos antes da campanha eleitoral: batermo-nos pelo aumento dos salários, das pensões, pelo direito à habitação, pelo direito à saúde, pelos direitos das crianças e dos pais, pela liberdade, pela democracia e pela soberania nacional”, acrescentou, despedindo-se com gritos de ‘Viva a CDU’ e despertando os primeiros aplausos da noite.

A projeção da RTP aponta um intervalo entre 2% e 4%, correspondendo a dois ou três mandatos; a projeção da SIC coloca a CDU com um resultado entre 1,3% e 4,5%, que se traduz entre um a cinco deputados; a projeção da TVI/CNN dá entre 2,3% e 5,3%, que se expressa num intervalo de um a cinco deputados; e a projeção avançada pela CMTV deixa a CDU com 1,2 a 5,2% dos votos, traduzidos numa representação parlamentar entre um e cinco mandatos.

Resistir é a palvara de ordem

Antes de Vasco Cordeiro falar, já Fernanda Mateus, da comissão política do comité central do PCP, manifestara confiança de que o partido vai resistir ao declínio de representação na Assembleia da República.

“Neste momento ainda estamos confrontados com as projeções, portanto, ainda estamos longe de saber quais são os resultados globais. Teremos de aguardar por eles. De qualquer maneira, aquilo que verificamos é que nos dados que são apresentados consideramos que há uma resistência por parte da CDU que consideramos importante”, afirmou Fernanda Mateus, membro da comissão política do Comité Central do PCP.

Em declarações aos jornalistas, a dirigente comunista reiterou a “coragem e determinação” no cumprimento dos compromissos assumidos com os trabalhadores, “independentemente do resultado final” destas eleições legislativas.

“Estamos confiantes que vamos resistir e seguramente que continuaremos cá a partir do dia 11 a intervir e a contribuir para as soluções do país e para afrontar a política de direita e os projetos reacionários”, vincou.

Sublinhando que “os intervalos [das projeções das sondagens] são grandes” e que ainda “é cedo” para discutir cenários, Fernanda Mateus relembrou o “património” dos comunistas na defesa dos interesses da população portuguesa e que esse compromisso é para manter.

“Consideramos que os dados apontam para a nossa resistência e o nosso compromisso será no sentido de corresponder ao que fizemos na campanha eleitoral, os compromissos de dar a cara pelos problemas que estão aí e que não estão resolvidos e que essa luta, da nossa parte, vai continuar”, insistiu.

Confrontada com um crescimento acentuado do Chega, Fernanda Mateus defendeu que não se deve isolar o partido de extrema-direita presidido por André Ventura, ao notar que os projetos da Aliança Democrática (AD) e da IL “são projetos de direita reacionários”.

“Esse aumento que fala é um libelo acusatório de muita gente que está descontente com a ausência de resolução dos problemas concretos com que se confrontam e que caiu numa força que não vai resolver nenhum dos seus problemas. Teremos de enfrentar, estamos cá para intervir com toda a determinação e coragem”, sentenciou.

Diário de Notícias
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