Tornou-se comum a inclusão de uma carta informal a
acompanhar o registo para a Oferta Pública de Venda junto da SEC, e o Facebook
também escreveu uma.
Zuckerberg foi extenso e dividiu a missiva em várias partes. Eis o que escreveu Zuckerberg sobre a missão e princípios do Facebook:
"O Facebook não foi originalmente criado para ser
uma empresa. Foi desenhado para cumprir uma missão social - tornar o mundo mais
aberto e ligado.
Pensamos que é importante que todos os que investirem
no Facebook compreendam o que esta missão significa para nós, como tomamos as
decisões e porque fazemos o que fazemos. Vou tentar descrever a nossa abordagem
nesta carta.
No Facebook, somos inspirados por tecnologias que
revolucionaram a forma as pessoas espalham e consomem informação. Falamos
muitas vezes de invenções como a imprensa e a televisão - apenas por tornarem a
comunicação mais eficiente, levaram a uma transformação completa de muitas
partes importantes da sociedade. Deram voz a mais pessoas. Encorajaram o
progresso. Mudaram a forma como a sociedade estava organizada. Aproximaram-nos
a todos.
Hoje, a nossa sociedade atingiu outro ponto de
viragem. Vivemos num momento em que a maioria das pessoas no mundo tem acesso à
internet ou a telemóveis - as matérias-primas necessárias para começarem a
partilhar o que pensam, sentem e fazem com quem quiserem. O Facebook aspira a
construir os serviços que dão às pessoas o poder para partilhar e ajudá-las a
mais uma vez transformarem muitas das nossas principais instituições e
indústrias.
Existe uma enorme necessidade e uma grande
oportunidade para pôr toda a gente no mundo ligada, para dar voz a toda a gente
e para ajudar a transformar a sociedade para o futuro. A escala da tecnologia e
infraestrutura que tem de ser desenhada não tem precedentes, e queremos
acreditar que este é o problema mais importante em que nos podemos focar.
Esperamos poder fortalecer a forma como as
pessoas se relacionam umas com as outras.
Mesmo que a nossa missão pareça grande, começa por ser
pequena - com as relações entre duas pessoas.
As relações pessoais são a unidade fundamental da
nossa sociedade. É através das relações que descobrimos novas ideias,
entendemos o nosso mundo e em último caso obtemos a felicidade a longo prazo.
No Facebook, construímos ferramentas que ajudam as
pessoas a ligarem-se às pessoas que querem e a partilharem o que querem, e ao
fazer isto estamos a alargar a capacidade das pessoas de construírem e manterem
relações.
O facto de as pessoas partilharem mais - mesmo que
seja apenas com os seus amigos próximos ou famílias - cria uma cultura mais
aberta e leva a um melhor entendimento das vidas e perspectivas dos outros.
Acreditamos que isto cria um grande número de relações mais fortes entre as
pessoas, e que as ajuda a exporem-se a um número maior de perspectivas
diversas.
Ao ajudar as pessoas a formarem estas ligações,
esperamos reprogramar a forma como as pessoas espalham e consomem informação. Pensamos
que a infraestrutura de informação do mundo deveriam aproximar-se do gráfico
social - uma rede construída de baixo para cima ou de pessoa para pessoa, em
vez da estrutura monolítica, do topo para baixo, que existiu até agora. Também
acreditamos que dar às pessoas control sobre o que partilham é um princípio
fundamental desta reprogramação.
Já ajudámos mais de 800 milhões de pessoas a
construírem mais de 100 mil milhões de relacionamentos até agora, e a nossa
intenção é ajudar esta reconexão a acelerar.
Esperamos melhorar a forma como as pessoas se ligam às
empresas e à economia. Pensamos que um mundo mais aberto e ligado vai ajudar a
criar uma economia mais forte, com mais empresas autênticas que desenhem
melhores produtos e serviços.
À medida que as pessoas partilham mais, têm acesso a
mais opiniões das pessoas em quem confiam sobre os produtos e services que
usam. Isto torna mais fácil descobrir os melhores produtos e melhorar a
qualidade e eficiência das suas vidas.
Um resultado de tornar mais fácil encontrar melhores
produtos é que as empresas serão premiadas por fazerem melhores produtos - que sejam
personalizados e desenhados em torno das pessoas. Percebemos que os produtos
que são "sociais no design" tendem a ser mais envolventes que os produtos
tradicionais, e queremos ver mais destes produtos no mundo.
A nossa plataforma de programação já permitiu a
centenas de milhares de empresas construírem produtos mais sociais e de maior
qualidade. Vimos novas abordagens disruptivas em indústrias como os jogos,
música, e notícias, e epseramos ver disrupções similares em mais indústrias com
abordagens que sejam sociais por definição.
Além de construir melhores produtos, um mundo mais
aberto vai encorajar as empresas a envolverem-se com os clientes de forma mais
directa e autêntica. Mais de quatro milhões de empresas têm Páginas no Facebook
que usam para dialogar com os clientes. Esperamos que isto também cresça.
Esperamos mudar a forma como as pessoas se relacionam
com o seu governo e instituições sociais.
Acreditamos que construir ferramentas para ajudar as
pessoas a partilhar pode trazer um diálogo mais honesto e transparente que pode
dar mais poder às pessoas, mais responsabilização aos funcionários públicos e
melhores soluções para os grandes problemas do nosso tempo.
Ao dar às pessoas o poder de partilhar, começamos a
vê-las fazerem-se ouvir numa escala diferente do que tinha sido historicamente
possível. Estas vozes vão aumentar em número e volume. Não podem
ser ignoradas. Ao longo do tempo, esperamos que os governos respondam mais aos assuntos e
receios levantados pelas pessoas e não por intermediários controlados por
apenas alguns.
Através deste processo, acreditamos que os líderes vão
emergir em todos os países que são pró-internet e lutam pelos direitos das
pessoas, incluíndo o direito a partilhar o que querem e a aceder a toda a
informação que seja partilhada consigo.
Finalmente, à medida que a economia se dirige a
produtos de maior qualidade e mais personalizados, esperamos ver emergir novos
serviços que sejam desenhados de forma social para endereçarem os problemas
mundiais que enfrentamos na criação de emprego, educação e saúde. Queremos
ajudar neste progresso."