A carta de Mark Zuckerberg ao mercado sobre os princípios do Facebook

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Tornou-se comum a inclusão de uma carta informal a

acompanhar o registo para a Oferta Pública de Venda junto da SEC, e o Facebook

também escreveu uma.

Zuckerberg foi extenso e dividiu a missiva em várias partes. Eis o que escreveu Zuckerberg sobre a missão e princípios do Facebook:

"O Facebook não foi originalmente criado para ser

uma empresa. Foi desenhado para cumprir uma missão social - tornar o mundo mais

aberto e ligado.

Pensamos que é importante que todos os que investirem

no Facebook compreendam o que esta missão significa para nós, como tomamos as

decisões e porque fazemos o que fazemos. Vou tentar descrever a nossa abordagem

nesta carta.

No Facebook, somos inspirados por tecnologias que

revolucionaram a forma as pessoas espalham e consomem informação. Falamos

muitas vezes de invenções como a imprensa e a televisão - apenas por tornarem a

comunicação mais eficiente, levaram a uma transformação completa de muitas

partes importantes da sociedade. Deram voz a mais pessoas. Encorajaram o

progresso. Mudaram a forma como a sociedade estava organizada. Aproximaram-nos

a todos.

Hoje, a nossa sociedade atingiu outro ponto de

viragem. Vivemos num momento em que a maioria das pessoas no mundo tem acesso à

internet ou a telemóveis - as matérias-primas necessárias para começarem a

partilhar o que pensam, sentem e fazem com quem quiserem. O Facebook aspira a

construir os serviços que dão às pessoas o poder para partilhar e ajudá-las a

mais uma vez transformarem muitas das nossas principais instituições e

indústrias.

Existe uma enorme necessidade e uma grande

oportunidade para pôr toda a gente no mundo ligada, para dar voz a toda a gente

e para ajudar a transformar a sociedade para o futuro. A escala da tecnologia e

infraestrutura que tem de ser desenhada não tem precedentes, e queremos

acreditar que este é o problema mais importante em que nos podemos focar.

Esperamos poder fortalecer a forma como as

pessoas se relacionam umas com as outras.

Mesmo que a nossa missão pareça grande, começa por ser

pequena - com as relações entre duas pessoas.

As relações pessoais são a unidade fundamental da

nossa sociedade. É através das relações que descobrimos novas ideias,

entendemos o nosso mundo e em último caso obtemos a felicidade a longo prazo.

No Facebook, construímos ferramentas que ajudam as

pessoas a ligarem-se às pessoas que querem e a partilharem o que querem, e ao

fazer isto estamos a alargar a capacidade das pessoas de construírem e manterem

relações.

O facto de as pessoas partilharem mais - mesmo que

seja apenas com os seus amigos próximos ou famílias - cria uma cultura mais

aberta e leva a um melhor entendimento das vidas e perspectivas dos outros.

Acreditamos que isto cria um grande número de relações mais fortes entre as

pessoas, e que as ajuda a exporem-se a um número maior de perspectivas

diversas.

Ao ajudar as pessoas a formarem estas ligações,

esperamos reprogramar a forma como as pessoas espalham e consomem informação. Pensamos

que a infraestrutura de informação do mundo deveriam aproximar-se do gráfico

social - uma rede construída de baixo para cima ou de pessoa para pessoa, em

vez da estrutura monolítica, do topo para baixo, que existiu até agora. Também

acreditamos que dar às pessoas control sobre o que partilham é um princípio

fundamental desta reprogramação.

Já ajudámos mais de 800 milhões de pessoas a

construírem mais de 100 mil milhões de relacionamentos até agora, e a nossa

intenção é ajudar esta reconexão a acelerar.

Esperamos melhorar a forma como as pessoas se ligam às

empresas e à economia. Pensamos que um mundo mais aberto e ligado vai ajudar a

criar uma economia mais forte, com mais empresas autênticas que desenhem

melhores produtos e serviços.

À medida que as pessoas partilham mais, têm acesso a

mais opiniões das pessoas em quem confiam sobre os produtos e services que

usam. Isto torna mais fácil descobrir os melhores produtos e melhorar a

qualidade e eficiência das suas vidas.

Um resultado de tornar mais fácil encontrar melhores

produtos é que as empresas serão premiadas por fazerem melhores produtos - que sejam

personalizados e desenhados em torno das pessoas. Percebemos que os produtos

que são "sociais no design" tendem a ser mais envolventes que os produtos

tradicionais, e queremos ver mais destes produtos no mundo.

A nossa plataforma de programação já permitiu a

centenas de milhares de empresas construírem produtos mais sociais e de maior

qualidade. Vimos novas abordagens disruptivas em indústrias como os jogos,

música, e notícias, e epseramos ver disrupções similares em mais indústrias com

abordagens que sejam sociais por definição.

Além de construir melhores produtos, um mundo mais

aberto vai encorajar as empresas a envolverem-se com os clientes de forma mais

directa e autêntica. Mais de quatro milhões de empresas têm Páginas no Facebook

que usam para dialogar com os clientes. Esperamos que isto também cresça.

Esperamos mudar a forma como as pessoas se relacionam

com o seu governo e instituições sociais.

Acreditamos que construir ferramentas para ajudar as

pessoas a partilhar pode trazer um diálogo mais honesto e transparente que pode

dar mais poder às pessoas, mais responsabilização aos funcionários públicos e

melhores soluções para os grandes problemas do nosso tempo.

Ao dar às pessoas o poder de partilhar, começamos a

vê-las fazerem-se ouvir numa escala diferente do que tinha sido historicamente

possível. Estas vozes vão aumentar em número e volume. Não podem

ser ignoradas. Ao longo do tempo, esperamos que os governos respondam mais aos assuntos e

receios levantados pelas pessoas e não por intermediários controlados por

apenas alguns.

Através deste processo, acreditamos que os líderes vão

emergir em todos os países que são pró-internet e lutam pelos direitos das

pessoas, incluíndo o direito a partilhar o que querem e a aceder a toda a

informação que seja partilhada consigo.

Finalmente, à medida que a economia se dirige a

produtos de maior qualidade e mais personalizados, esperamos ver emergir novos

serviços que sejam desenhados de forma social para endereçarem os problemas

mundiais que enfrentamos na criação de emprego, educação e saúde. Queremos

ajudar neste progresso."

Diário de Notícias
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