A frase ecoou por todo o auditório e ganhou destaque nos tweets de quem participava do evento.
Tive sentimentos misturados em relação ao dito. Por um lado, a frase não passa de uma inócua lição de autoajuda. Por outro, alguma coisa ela teria de bom para se ter repercutido tanto.
Boa parte da indústria dos bons sentimentos vive da carência dos seus consumidores. Seja através de livros, filmes, campanhas publicitárias, é grande a legião dos que querem compensar o karma de vidas passadas ou da atual.
Eu sou um deles. Acho que é sempre possível contrabandear conceitos bonitos dentro da missão de vender algo a alguém. Daí que deveria ser o primeiro a gostar de frases como a do Pharrel. Só que...
O problema de quem acredita demasiado em mentalizar coisas positivas é esquecer que apenas pensar em coisas boas não muda o mundo. É preciso levantar o rabo da cadeira e fazer.
E antes de dizer que a minha última afirmação também não passa de autoajuda barata, acrescento: fazer, por si só, não é garantia de nada. Fazer é um primeiro passo, não o caminho inteiro.
Só acerta quem faz. Mas para errar, fazer também é pré-requisito. Logo, o verbo importante é "fazer" ou, se preferir, "construir", "procurar", "arriscar", "provocar" e alguns outros. Depois poderemos ver se o que fizemos deu certo. Nem sempre dá.
Ficar parado só é missão para quem é poste. Se não é o seu caso, mova-se.
Faltam quase 12 meses para o próximo Festival de Cannes. Minto: faltam 9 meses para o fecho das inscrições.
Não sei de dá para aproveitar esses 270 dias para mexer na posição de astros luminosos. Acho complicado. Não sou astrónomo nem astrólogo para dizer como.
Mas 270 dias são mais do que tempo para transformar briefings em boas ideias. E transformar boas ideias em boas execuções. E transformar boas execuções em excelentes trabalhos a serem julgados pelos nossos pares.
Está aí a receita para se ganhar em Leão de Cannes em 2016. E para perder também. Mas aí, meu filho, não ponha a culpa em mim. A culpa é sempre das estrelas.
Ou como diria o meu Tio Olavo: "A fé move montanhas. Mas, por via das dúvidas, é melhor você ir empurrando".