A educação é um bem comum que deve ser uma prioridade para qualquer país evoluído, sendo um direito fundamental, consagrado na Constituição da República Portuguesa. Nesse sentido, é importante promovermos uma educação verdadeiramente justa e igualitária.
A minha vida tem sido marcada por diferentes experiências e desafios. Todas as oportunidades que a vida me tem trazido, tenho-as abraçado da melhor forma que sei e contribuído com todo o meu ser. Abracei há 7 anos o desafio de contribuir para a Santa Casa da Misericórdia de Sintra, sendo que, em 2020, tive a oportunidade de poder contribuir para a comunidade sintrense, enquanto Provedor desta instituição.
Ao trabalhar na Santa Casa da Misericórdia de Sintra, tenho vindo a desenvolver um grande compromisso com a sua comunidade e um desejo de ajudar aqueles que mais precisam. Essa instituição atua em diversas áreas, como apoio à infância, apoio ao idoso e a pessoas dependentes, psicologia e ação social, nas suas diversas vertentes. E o facto de trabalhar numa instituição tão antiga, com quase 500 anos de existência, é algo que, por si só, já é inspirador.
A cumplicidade com Sintra e os Sintrenses, a disposição para trabalhar em parceria com outras entidades, sejam elas a Câmara Municipal, as paróquias e juntas de freguesia, os bombeiros ou as forças de segurança, é algo que me move. Nesta missão, algo que me chama a atenção é o compromisso com a educação por ter o valor que tem na nossa sociedade. E com a educação deve vir a inovação, e em particular a inovação tecnológica, que, no contexto escolar, além de tornar a aprendizagem mais interativa e estimulante, facilita a colaboração e comunicação entre professores, crianças e famílias.
Sabemos que, com esta ligação, é possível garantir um ambiente de aprendizagem transparente, saudável e positivo, que permite que as crianças atinjam todo o seu potencial e se sintam mais integradas e confiantes. No fundo, estamos a contribuir para que todos possam vir a ter oportunidades mais igualitárias um dia mais tarde.
Um dos principais fatores que influencia a desigualdade na educação é o contexto familiar. Infelizmente, a situação socioeconómica das famílias ainda têm impacto na aprendizagem das crianças e, consequentemente, no seu futuro. De acordo com os dados do relatório PISA 2018, da OCDE, que avalia o desempenho dos alunos de 15 anos de 79 países e economias diferentes, os alunos 25% mais pobres têm, em Portugal, dois anos de atraso, ao nível do conhecimento, do que os alunos que são 25% mais ricos. Isto é um indicador, sem dúvida, muito preocupante e no qual vale a pena refletir.
Num mundo cada vez mais conectado, não podemos parar no tempo e é fundamental que as famílias possam comunicar entre si e partilhar experiências, mesmo que estejam distantes fisicamente. A tecnologia pode ser um bom facilitador deste processo.
Quando esta ponte de comunicação inovadora é oferecida por uma instituição como a Santa Casa da Misericórdia, que já tem um papel importante e ativo na comunidade, os resultados podem ser ainda mais significativos do ponto de vista social.
Afinal, a escola deve ser um elevador social e, nesse sentido, é importante reconhecer as desigualdades de forma a lutar contra elas. Só assim poderemos garantir uma educação igualitária e melhorar o futuro dos alunos e o nosso.
Manuel Costa e Oliveira, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Sintra