O CEO da ANA - Aeroportos de Portugal disse esta quarta-feira que, "antes de dar palco a nível nacional e internacional" era primordial que se tivesse avaliado a "relevância dos critérios, a idoneidade da fonte de dados, o rigor da metodologia e, sobretudo, a legitimidade e o propósito da própria empresa AirHelp em publicar a classificação" que aponta os aeroportos de Lisboa e do Porto como o pior e oitavo pior do mundo, respetivamente, entre os 132 analisados.
As explicações de Thierry Ligonnière foram dadas em Comissão Parlamentar, na sequência de um requerimento do PSD para esclarecimentos por parte da gestora aeroportuária, numa altura em que a desordem instalada nos aeroportos nacionais não beneficia com uma avaliação negativa num ranking com visibilidade mundial.
"A avaliação da AirHelp não é objetiva", afirmou o CEO, referindo que a empresa alemã não é uma "entidade independente" nem "referência no setor". Trata-se de uma "montagem sobre os resultados da qualidade dos serviços [do Aeroporto Humberto Delgado e do Aeroporto Sá Carneiro], realizada por uma empresa comercial que se alimenta de indemnizações recuperadas com as companhias aéreas, por conta de passageiros que viram os seus voos atrasados ou cancelados", prosseguiu o responsável.
Ligonnière acusou ainda a AirHelp de encontrar no eco dado a esta classificação, "uma forma barata e recorrente de ganhar notoriedade num país onde quer desenvolver os seus negócios", a custo da reputação da ANA, sem medir as consequências de usar "dados desatualizados" e critérios "pouco claros".
Relembrando que a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) é parte interessada no assunto, o presidente executivo mostrou aos deputados uma nota emitida pela entidade reguladora da aviação, em que consta que a análise elaborada pela AirHelp não é "suficientemente detalhada para permitir extrair conclusões e análises corporativas", uma vez que faz uso de dados de 2018 e os seus critérios e fontes não são claros. Thierry Ligonnière garantiu que a ANA cumpre os critérios impostos e fiscalizados pela ANAC.
"Mesmo que o gestor de aeroportos assuma um papel do chefe de orquestra, ele não pode tocar a partitura pelos músicos": foi a metáfora usada pelo CEO da ANA para a entrada do discurso de reconhecimento de "problemas graves" com alguns subsistemas nos aeroportos, nos quais se inclui o controlo de fronteiras, a cargo do SEF. Ligonnière referiu, no entanto, que após os contactos com os parceiros, a situação "tem vindo a melhorar", produzindo "resultados tangíveis" nas últimas semanas, com uma melhoria significativa no tempo de espera desde 18 de junho.
"A outra dificuldade é que passámos de uma situação em que todos os aviões estavam no chão (2020) para uma retoma do tráfego muito dinâmica", apontou o gestor, referindo que alguns aeroportos se encontram acima dos valores de 2019 (acima das projeções de retoma), "o que acabou por surpreender parte dos atores do setor do transporte aéreo", que tiveram de se adaptar e reduzir o efetivo. O CEO assegurou que não foi o caso da concessionária, que manteve o número de colaboradores.
Quanto aos cancelamentos que se têm verificado nos últimos tempos, o presidente executivo afirmou estarem "do lado das companhias aéreas" e que os circuitos se encontram no seu normal funcionamento. Ligonnière salientou, no entanto, que o imprevisto ocorrido na tarde de sexta-feira passada não veio facilitar a recuperação do tráfego. Ainda sobre a Portela, o gestor ressalvou que o limite de operacionalidade torna a estrutura aeroportuária "mais frágil e menos resiliente" na resposta a este tipo de ocorrências.