Oitenta por cento do lixo marinho é plástico. Mais de 8 milhões de toneladas de plástico chegam anualmente ao oceano, o equivalente a despejar um camião de plástico a cada minuto. Um milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos morrem todos os anos devido à poluição por plástico, alerta a Unesco.
Trazer esse facto para a consciência dos portugueses foi o que motivou a campanha O que não acaba no lixo acaba no mar, levada a cabo pela Fundação Oceano Azul e Oceanário de Lisboa, em parceria com a Olá, que arranca este sábado.
"Com esta campanha, alertamos que o lixo descartado indevidamente poderá, com uma elevada probabilidade acabar no mar, degradando assim o ambiente marinho e atingindo milhares de espécies. Isto é verdade com as beatas de cigarro que deitamos para o chão, com os cotonetes mal descartados, com as embalagens e com muitos outros produtos que utilizamos no nosso dia-a-dia", refere Emanuel Gonçalves, membro da comissão executiva da Fundação Oceano Azul, ao Dinheiro Vivo.
"No seu âmbito de atuação, a Fundação Oceano Azul pretende fazer chegar a um número cada vez mais alargado de pessoas informação essencial acerca da importância da preservação do oceano para a nossa sociedade", reforça justificando o que levou a organização, gestora do Oceanário de Lisboa, a lançar com esta campanha.
Com criatividade da Torke CC, direção criativa de Hugo Tornelo, supervisão de Gabriele Donada e equipa criativa de Diogo Stilwell e João Mescas, a campanha é composta por três filmes com produção da Show Off e realização de Martim Condeixa.
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O Oceanário de Lisboa e a Olá juntaram-se a esta ação. É o retomar de uma parceria iniciada no verão do ano passado. "No âmbito do dia mundial dos oceanos, o Oceanário de Lisboa e a Olá estabeleceram uma parceria sob o lema “Juntos pelos oceanos!”. Foi lançado o Calippo de laranja e, na compra de cada gelado, 0,05 euros reverteram para apoiar projetos que contribuam para a conservação do oceano. A parceira foi um sucesso, daí fazer todo o sentido renová-la, agora com a Fundação Oceano Azul, para uma nova campanha ainda mais ambiciosa", justifica Emanuel Gonçalves.
Desde que assumiu a concessão do Oceanário já foi investido 1,472 milhões de euros em equipamento, adianta João Falcato, CEO do Oceanário e membro da comissão executiva da Fundação Oceano Azul. O ano passado o espaço fechou com receitas de cerca de 14 milhões de euros. "Há cada vez mais visitantes interessados nas atividades do Oceanário portanto a nossa expectativa é que haja um crescimento das receitas, como tem acontecido nos últimos anos", diz o responsável sem revelar valores.
A Fundação tem um orçamento global de 55 milhões de euros para aplicar nos próximos dez anos para atividades de educação ambiental e conservação dos ecossistemas marinhos. E para além desta campanha tem outras iniciativas previstas.
"Será iniciado um estudo sobre pescas sustentáveis onde se procurará estabelecer parcerias com associações de pesca, entidades governamentais, municípios, centros de investigação e organizações não-governamentais para encontrar formas mais sustentáveis de exploração de recursos pesqueiros. Este estudo inicial ajudará a definir um processo de médio prazo que se pretende sirva de projeto piloto que mais tarde possa vir a ser alargado à escala nacional e mesmo internacional", revela Emanuel Gonçalves.
A Fundação está ainda a "desenvolver com parceiros internacionais e nacionais um processo para ajudar a criar e sustentar uma rede de áreas marinhas protegidas que permitam proteger o valioso património natural do país. Os Açores serão um local de eleição para este programa onde, em conjunto com o governo regional e outros parceiros locais, se estão a planear os primeiros passos deste processo", adianta o membro da comissão executiva.
Fundação e Oceanário estão nesse sentido a apoiar o campeão do mundo de kitesurfe Francisco Lufinha. Este vai "realizar uma visita às escolas dos Açores para alertar os jovens para a urgência em proteger o oceano e irá tentar pela primeira vez a travessia entre os Açores e o continente em parceria com a recordista alemã de kitesurf Anke Brandt", adianta Emanuel Gonçalves. Em outubro, a Fundação vai ainda participar na conferência Our Ocean em Malta, organizada pela Comissão Europeia, onde irá apresentar alguns dos seus projetos.
Em maio lançaram o fundo Oceano Azul, 100 mil euros para financiar projetos científicos que contribuam para a conservação de espécies marinhas. Receberam 23 candidaturas ao Fundo para a Conservação do Oceano. "O tema deste ano foi “Raias e tubarões. Da escuridão para a luz da ciência” e pretende contribuir para a conservação deste grupo de peixes que se encontra seriamente ameaçado pelos impactos da pesca e de outras atividades humanas. Neste momento decorre a fase de análise das candidaturas recebidas, a que se seguirá uma avaliação por um júri internacional. Os resultados serão anunciados em novembro", adianta Emanuel Gonçalves.