Antonio Della Croce: "Colaborar com startups traz avanço na inovação que seria impossível"  

Diretor-geral da AbbVie Portugal faz balanço positivo do LeapUp, que conta com duas portuguesas entre as cinco vencedoras. Partilha de conhecimento é a maior vantagem que vê no programa, que será para repetir.
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Biofarmacêutica focada na investigação de tratamentos para doenças que necessitam de novas soluções terapêuticas, a AbbVie selecionou cinco startups para o programa de inovação aberta LeapUp, entre as quais estão duas portuguesas.

O desafio foi lançado em fevereiro e responderam 59 startups de 17 países, tendo sido selecionadas as soluções da belga Byteflies (traz a qualidade dos dados de ambiente hospitalar para casa dos doentes, ajudando a monitorizar indicadores oncológicos), a sueca Vitala Health (plataforma integrada para profissionais de saúde prescreverem, monitorizarem e gerirem exercícios físicos para doentes crónicos) e a finlandesa Popit (dispositivo que alerta os doentes para a toma dos comprimidos). Além das nacionais Tonic App (recursos médicos integrados numa app com assistente virtual baseado em ChatGPT) e Knok Healthcare (plataforma de saúde digital personalizável e escalável, de marca branca, com mais de 50 aplicações personalizáveis e uma API aberta que se integra totalmente com qualquer sistema). Em parceria com a AbbVie, as cinco vão aplicar as ferramentas tecnológicas que facilitam e potenciam a gestão da doença na perspetiva do profissional de saúde como do doente. O diretor-geral da companhia em Portugal, Antonio Della Croce, explica como.

Como funciona o LeapUp? De que forma podem as empresas escolhidas dele tirar partido?
É um programa de inovação aberta, dirigido a startups e promovido pela AbbVie em parceria com Nova SBE Co.Innovation Lab, que pretende criar um ambiente de inovação colaborativa em áreas terapêuticas específicas, dando oportunidade às selecionadas de desenvolverem os seus projetos connosco, trazendo valor para o ecossistema da saúde.

E que desafio propunha?
O projeto lançou quatro desafios, para os quais as startups foram convidadas a apresentar soluções: otimização da experiência do utilizador (profissional de saúde e doente) no acesso à informação; melhoria da jornada do doente (diagnóstico, referenciação e tratamento); disease awareness e empoderamento do doente; recolha e agregação de dados de vida real e value based healthcare. Além destes, as startups que concorreram puderam apresentar um desafio inovador ou uma ideia complementar e desafiar a AbbVie a inovar com elas.

O que ganham as selecionadas?
As cinco startups selecionadas - Tonic App, Knok Healthcare, Byteflies, Vitala Health e Popit - vão contar com o apoio da AbbVie para a otimização e aplicação dos seus projetos em contextos práticos diferenciados. A AbbVie irá abrir portas às startups e contribuir para desenvolverem as soluções, através da partilha do conhecimento sobre o ecossistema local de saúde e das principais necessidades específicas dos seus diferentes intervenientes, e também proporcionando um contacto próximo com vários stakeholders locais, que constituem mais-valia e aporte de valor ao projeto pela sua aplicação prática.

E de que forma podem também estas startups ajudar a Abbvie?
A AbbVie tem um compromisso com a melhoria da qualidade de vida dos doentes e aposta continuamente na inovação e na investigação, assumindo as novas tecnologias um lugar fundamental neste processo. Vivemos uma enorme transformação digital na área da saúde e somos um agente ativo neste caminho. A colaboração com estas startups permite-nos a todos um avanço na inovação que de outra forma não seria possível. Para dar resposta a necessidades não atendidas dos doentes, lançámos desafios correspondentes a situações que temos identificadas como oportunidades de melhoria, para quais é preciso trazer novas respostas. O acesso dos profissionais de saúde a dados de monitorização biométrica quando o doente está em casa, a lembrança da toma da medicação que permite uma melhor adesão à terapêutica, a monitorização e a promoção da atividade física, a inclusão de pontos de aceleração e simplificação na jornada do doente, assim como o acesso dos profissionais de saúde a diferentes recursos, com suporte do ChatGPT e numa única aplicação são importantes inovações, que ajudam a melhor acompanhamento do doente e trazem melhor qualidade de vida. Além disso, a interação das equipas da AbbVie com as startups é também muito benéfica para nós, porque nos traz um olhar diferente para as situações e acesso a formas de pensar e trabalhar, fora do que é o habitual na AbbVie. São momentos importantes de aprendizagem.

Que valor dedica a Abbvie a estes projetos de investimento?
No caso concreto do Leap Up, o prémio às vencedoras passa não por um valor monetário, mas pela oportunidade de connosco encontrarem a melhor forma de desenvolver as suas soluções em ambiente real e trazerem ainda mais valor aos seus projetos. A grande mais-valia de um projeto deste tipo é a partilha de conhecimento, a colaboração, o contacto com diferentes stakeholders e intervenientes no ecossistema da saúde, aos quais a AbbVie tem acesso. A identificação do que os doentes e os profissionais de saúde necessitam e valorizam, de que modo cada projeto pode ser otimizado para verdadeiramente fazer a diferença, impactar e melhorar a vida dos doentes a nível local, traz valor para as startups ao permite-lhes explorar vertentes ou mercados diferentes dos previstos fora da colaboração, permitindo-lhes expandir os seus horizontes.

O LeapUp será para repetir?
A primeira edição está a ser um sucesso e toda a equipa da AbbVie está muito entusiasmada com as soluções encontradas e a exposição que teve a conceitos e formas de pensar diferentes. Vamos agora entrar na fase de cocriação e colaboração com as startups, à qual iremos dedicar o nosso tempo e energia, no sentido de criar um impacto positivo na vida dos doentes. Acreditamos que este é apenas um primeiro passo, e que outras edições poderão acontecer no futuro. O nosso foco agora é garantir o sucesso das parcerias estabelecidas com as vencedoras da primeira edição.

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