Foi uma imagem familiar dos portugueses durante 50 anos, mas agora o Jumbo vai dar lugar à Auchan. “Uma marca mais jovem, mais adaptada a todos os perfis que temos”, diz Pedro Cid, CEO da Auchan Retail. Com vários formatos e marcas em Portugal - Jumbo (hipermercados), Pão de Açúcar (supermercados) e MyAuchan (lojas de proximidade), a Auchan foi escolhida por ser “uma marca uniforme que não se associa aos formatos”.
A mudança está em marcha no mesmo ano em que o Jumbo assinala o 50º aniversário. “Foi com um misto de sentimentos que retirámos o Jumbo para todas as equipas; porque gostamos do Jumbo, mas precisamos de evoluir”, diz Pedro Cid. “Temos de nos focar nos próximos 50 anos.” Para isso, só nos próximos dois anos a cadeia vai investir cerca de 90 milhões de euros em Portugal.
A nova marca começou oficialmente a voar nesta semana, apesar de algumas das lojas (Cascais, Almada, Alfragide ou Amoreiras) já terem feito a mudança para Auchan, estendendo-se aos 80 espaços (incluindo gasolineiras) que o retalhista tem em Portugal.
Uma mudança acompanhada pela campanha hino, criada pela agência de publicidade BarOgilvy, protagonizada pelos colaboradores (incluindo o CEO) e na qual foram investidos cerca de 1,5 milhões de euros, dando a conhecer o movimento Bom, o São e Local. Um foco para a cadeia que trabalha com cerca de 170 produtores locais e que, apesar de ter um acionista francês, realiza 88% das suas compras em Portugal, apostando na oferta de produtos bio e a granel, uma resposta às novas tendências.
Nos “próximos quatro a cinco meses”, deverá abrir em Paço de Arcos o primeiro hipermercado Auchan. Com 24 hipers espalhados pelo país, “há uma ou outra cidade em que ainda não estamos. Estamos a trabalhar nisso”, diz Pedro Cid. “Leiria e Braga poderão ser soluções.” Neste formato, em Cascais, até 2022, deverá nascer um novo espaço integrado no projeto imobiliário a ser preparado para a zona onde está implementado o atual hiper, no qual estão a ser investidos 18 a 19 milhões.
Com o online já a representar 8% das vendas, a cadeia continua a apostar nas lojas físicas, sobretudo de pequeno formato. Na Grande Lisboa, já existem 30 MyAuchan, mas para garantir a cobertura da região poderão chegar às 80 ou 90, num investimento entre 45 e 50 milhões. “Assim que acabarmos a zona de Lisboa, iremos para o Porto. Mas, para já, não temos data.”
Globalmente, o retalhista francês, que apresentou até junho prejuízos de cerca de 1,5 mil milhões e tem metas para melhoria da margem EBITDA, tem de cortar 1,1 mil milhões até 2022. Isso afeta planos de investimento para Portugal? “Não altera nada. Temos um plano para Portugal que depende dos nossos resultados, sempre.” O investimento “está dentro da mesma perspetiva que tínhamos no ano passado”, ou seja, 90 milhões a dois anos.