A UPS, a empresa norte-americana de transporte de encomendas e carga, está a enviar cada
vez mais produtos de exportação. Só no terceiro trimestre deste ano, o
volume de pacotes enviados nessas condições aumentou 10% face ao mesmo
período do ano passado, disse o porta-voz da empresa em Portugal, Carlos
Pinheiro, que não pode revelar qual o volume de encomendas
transportadas no país.
De acordo com este responsável,
que falava aos jornalistas em Colónia, na Alemanha, numa visita ao
centro das operações de triagem e transporte de encomendas europeu, este
crescimento está em linha com o da Europa, mas é, acima de tudo, uma
montra do aumento das exportações nacionais e de alguma retoma da
economia.
"Num ano, o volume de pacotes transportados
para exportação cresceu 5%, também em linha com a Europa", acrescentou,
por sua vez, o porta-voz da empresa para a Europa, Jim Daniell. De
acordo com este responsável, "Portugal está a contribuir muito para o
crescimento da operação da UPS na Europa".
Segundo Carlos
Pinheiro, 75% a 80% destas encomendas têm como destino principal a
Europa, mas há também já produtos a serem exportados para a China ou até
para a América Latina. "As empresas querem exportar para fora da União
Europeia e não sabem como e então recorrem à UPS porque além do
transporte ajudamos na parte burocrática, dos impostos a pagar ou da
alfandêga", conta.
Quanto a produtos, Carlos Pinheiro repara que
transportam de tudo, desde componentes automóveis, alta tecnologia,
moldes para indústria, mas também têxtil e calçado, onde "se nota uma
retoma". Aliás, conta "a China compra algum vinho, mas muito calçado
português".
Em Portugal nota-se também o mesmo fenómeno que nos
restantes mercados onde a UPS está e que é um crescimento dos envios de
encomendas através do serviço não prioritário, ou seja, mais barato.
Apesar de não poderem divulgar dados só para Portugal deste crescimento,
Jim Daniell adianta que, a nível mundial, o crescimento deste tipo de
envios foi de 11%.
A UPS está em Portugal desde 1993 e tem dois
centros de operação, um em Lisboa, junto à Portela, e outro no Porto,
mesmo dentro do aeroporto, onde investiu dois milhões de euros há já
seis anos. Para já não há planos para fazer novos investimentos, até
porque o centro de operações do Porto ainda tem margem de manobra,
explica Carlos Pinheiro.
Apesar de operarem no envio de encomendas e documentos, não são uma empresa de correios, mas sim de tranporte de mercadorias de pequena e grande dimensão e, por isso mesmo, não estão interessados em participar na privatização dos CTT ou entrar numa operação de serviço postal que se afasta do seu core-business, esclareceu ainda Jim Daniell.