A Oi e PT Portugal não querem comentar a informação e não foi possível obter um esclarecimento do grupo Altice, mas de acordo com a revista brasileira Veja, que cita a Redd, agência noticiosa norte-americana especializada em dívida corporativa e reestruturação, as conversas para a venda da PT Portugal intensificaram-se nos últimos dias, podendo a operação ser anunciada no final de outubro. Antes de serem conhecidos os resultados das eleições presidenciais no Brasil - a segunda volta tem data marcada para 26 de outubro - nada deverá ser fechado.
Rumores de uma eventual venda da PT Portugal têm-se adensado nas últimas semanas, sendo um cenário encarado como possível dentro da própria empresa, sabe o Dinheiro Vivo. E é visto como muito provável pelos analistas. Recentemente, a Mainfirst dava conta de que à semelhança dos ativos em África, que a Oi já anunciou que estão à venda, inclusive os 25% detidos na angolana Unitel, também a PT Portugal poderia ser alienada para financiar a compra da TIM Brasil. Um negócio no qual a operadora brasileira já manifestou interesse, tendo para isso mandatado o BTG Pactual para analisar a compra de uma participação na operadora móvel controlada pela Telecom Italia. Só que, numa reviravolta inesperada, tem sido noticiado nas últimas semanas que a TIM Brasil está, por sua vez, interessada na compra da Oi, tendo contratado já o Bradesco para assessorar a operação (ver caixa).
Se a consolidação vai ser feita com a Oi no papel de compradora ou na posição de adquirida, a realidade é que a empresa parece estar apostada numa consolidação do mercado de telecomunicações no Brasil. O facto de não ter participado no leilão de 4G no Brasil no final de setembro - que iria exigir um investimento de dois mil milhões para a compra de uma frequência que só será libertada em 2019 - é também interpretado como um sinal de que é por aí que passa a estratégia de Zeinal Bava.
PT SGPS com poder de veto
A entrada em campo do grupo Altice, controlado pelo bilionário francês Patrick Drahi, não causa, portanto, surpresa. "Poderá ser um agente facilitador da fusão entre a Oi e a TIM Brasil", considera Steven Santos, analista da XTB, em declarações ao Dinheiro Vivo. A avançar o negócio com o grupo francês, a "Oi abandonaria o projeto lusófono com a PT", mas "ganharia liquidez, essencial para reduzir o elevado endividamento e entrar num novo movimento de consolidação", destaca.
Uma fusão entre a Oi e a TIM Brasil dá massa crítica à Oi no Brasil, mas os ativos em Portugal passariam a ser classificados como "não estratégicos, o que abre a oportunidade de comprar a PT", frisa o analista ouvido pelo Dinheiro Vivo. O grupo Altice poderia, assim, comprar a empresa portuguesa, beneficiando da necessidade de a Oi realizar maior liquidez para participar no jogo da consolidação, mas também do "desconforto gerado no Brasil pelo mau investimento da PT na Rioforte".
O default de 897 milhões da empresa do Grupo Espírito Santo provocou, no verão, uma forte tensão entre os acionistas portugueses e os brasileiros, tendo levado inclusive a uma perda de posição da PT na CorpCo, empresa que emergirá depois de concluída a fusão, apontada para março do próximo ano: a PT ficará com 25,6%, em vez dos 37,3% inicialmente previstos.
Para Patrick Drahi - que tem uma fortuna avaliada pela Forbes em mais de oito mil milhões de euros - poder crescer no mercado português e juntar a PT Portugal à Cabovisão e à Oni, a PT SGPS, presidida por João Mello Franco, tem uma palavra a dizer. A empresa detém 30% da Oi e, segundo o acordo parassocial, tem poder de veto neste tipo de operações. Ou seja, tanto a venda da PT Portugal como uma eventual compra da TIM Brasil tem de ter luz verde dos acionistas da operadora portuguesa.